domingo, 5 de abril de 2026

a ressurreição de uma obra


A reprodução abaixo é da belíssima obra do pintor renascentista Rafael Sanzio, Ressurreição de Cristo, criada na passagem de um século para outro, entre 1499 e 1502, no nascimento de um novo tempo.

É curioso como na grandiosidade de uma peça estejam marcados em suas cores, o símbolo, a história e significados de transformação, de mudança, de renascimento.
Um terremoto na cidade Tolentino, Itália, por volta do final do século 18, atingiu a Basílica de São Nicolau, onde estava o quadro, por detrás do altar. Foi recuperado, renascido, elevado aos céus para a humanidade. A obra ressuscitada.
Em 1947, o historiador e colecionador Pietro Maria Bardi criou, junto com o jornalista Assis Chateaubriand, o Museu de Arte Moderna de São Paulo. Bardi, que nasceu na mudança de um século, 1900, e faleceu na passagem de outro, 1999 – mais uma vez, o renascimento - foi diretor da instituição por dedicados 45 anos. Em 1954 adquiriu, através de leilão, o quadro de Rafael Sanzio para o Museu.
O belo e magnetizante óleo sobre madeira, de pouco mais de 50 cm de dimensão, exposto em cavalete de cristal, é a única obra do pintor italiano não somente no Brasil, mas em todo o hemisfério sul. Outra vez renascida em nova casa.
A biografia de uma obra de arte em simetria com a fé cristã.

sábado, 28 de março de 2026

fundamento

Corpo, Espaço, Sonhos, África.
Esses quatro belos e impactantes módulos compõem a exposição Ancestral – Afro-América, no CCBB Brasília. São mais de 130 obras de artistas afrodescendentes do Brasil e Estados Unidos.
Uma expografia orgânica que exprime em cada peça reflexões sobre a afirmação do corpo, a dimensão dos sonhos, a reivindicação de espaço, e valoriza de forma contundente, oportuna e necessária, o conceito de identidade afro-americana.
Na vastidão silenciosa e minimalista de duas galerias, a exposição celebra as relações da arte nas Américas, suas origens, seu potencial transformador, seu questionamento e compromisso.
De tudo que nos deixa com o olhar imantado, o quadro Fundamento, de 2020, fotografia do artista cubano Carlos Martiel, é o mais arrebatador, estonteante. Impressiona pela relevância. Uma obra que explora os limites da representação. Martiel amplia a compreensão de originalidade e cultura ao abordar o tema de imigração e identidade.