- Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir para sair daqui?
- Isso depende muito de para onde queres ir - respondeu o Gato.
- Não me importo muito para onde... - retrucou Alice.
- Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas - replicou o Gato.
Lembrei-me desse diálogo de Alice no país das maravilhas (1865), de Lewis Carroll, saindo da cidade de Guaramiranga, Ceará, em fevereiro de 2015, depois do Festival de Jazz & Blues, ao ver dois gatos na janela de uma casa. Fotografei como Alice perguntasse. Ou perguntei como Alice os fotografasse.
No livro, a personagem ao fazer a pergunta ao Gato de Cheshire, o autor desconstrói qualquer intencionalidade de interpretação literal. As alusões são filosóficas em toda narrativa, e o felino sorridente é um dos poucos que tem um diálogo com a menina, de forma que ela perceba as reflexões necessárias.
Descendo a serra, caí morro abaixo em mim, dentro de reflexões sobre que caminhos realmente queremos, sabemos e seguimos, depois que estivemos na toca do coelho e nos encantamos com seres antropomórficos, em situações que, por algumas horas, largamos preocupações, saudades, amores idos, desejos, esperanças...
E lembrei daquele final de tarde que me lembrou o trecho do livro porque me lembrei que hoje é o Dia Mundial do Gato, esse ser aquariano.
A lembrança faz parte do caminho a seguir. Não resistência sem a memória.

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