quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

escrever é melhor que sonhar


Foto: Richard Dumas, 2019

“Eu não sonho. Ou não lembro dos sonhos, mas minha literatura está cheia deles; imagino. Um amigo psiquiatra me disse: ‘Escreve, não precisa sonhar'”

- Haruki Murakami, autor de irresistíveis longos sonhos acordados, como Norwegian Wood, Kafka à beira-mar, Crônica do pássaro de corda, Tokio blues, Dance, dance, dance, Após o anoitecer, O elefante desaparece, em entrevista ao portal El País, em 2019.

Murakami arremata em outro trecho:

“De alguma forma, escrevo todos os dias. Se não escrevo, não é um bom dia”. 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

a linha que passeia


“O desenho é uma linha que sai para passear”

- Paul Klee, pintor, desenhista, professor suíço, de nacionalidade alemã. Um pensador, sobretudo.
Klee coloca o tempo na pintura, estende o movimento. Toda obra de arte é orgânica, ativa, a partir do olhar do autor e de quem vê, lê, escuta. Uma peça artística é uma jornada visual e sensorial, é um percurso, nunca algo estático.
Muitas dessas reflexões Paul Klee escreveu durante os dez anos (1921-1931) em que lecionou na Escola Bauhaus, influente instituição de arte, design e arquitetura na Alemanha.
São quase 4000 notas, lições e desenhos que ele produziu nesse período.
Caderno de esboços pedagógicos, de 1925, de onde extraí a frase acima, é a mais conhecida das publicações em que foi compilada sua produção, fundamental para a compreensão de seu pensamento. No livro estão reunidas mais de quarenta reflexões, como lições, que exploram e analisam a construção visual, a proposição da forma e a função vital da arte.
Klee, nesses escritos e desenhos, prazerosos de ler, ver e aprender, desenvolve sua profundidade teórica com a leveza dos traços.
E assim, saímos para passear.
Acima, reprodução de Angelus Novus, 1920.