quarta-feira, 30 de novembro de 2016

"página infeliz da nossa história..."



o inesquecível

Fernando Pessoa dizia que "tudo o que é bom dura o tempo necessário para ser inesquecível".
Na paisagem urbana das ruas de Lisboa, o poeta, hoje depois de 81 anos de sua morte, atravessa as paredes do inesquecível.
Interferência em estêncil past-up do artista plástico Jean-François Perroy, numa rua do Bairro Alto na capital portuguesa, 2007.

a vida completa de Oscar Wilde

Oscar Wilde, biografia definitiva do romancista, poeta, contista, teatrólogo e ensaísta irlandês, é um fascinante apanhado crítico, escrito por Richard Ellmann.
Wilde, que hoje completa 116 de sua morte, encontra em Ellmann o mais completo narrador de sua vida, da sua ascensão artística, de sua comovente dimensão trágica.

O volumoso Oscar Wilde, prêmio Pulitzer, teve lançamento póstumo em 1988: Richard Ellmann faleceu um ano antes, debruçado sobre as provas tipográficas do livro, vitimado por uma doença de esclerose dos neurônios.
A biografia serviu de base para o roteiro do filme Wilde, de Brian Gilbert, 1987, com a ótima atuação e semelhança física de Stephen Fry.

bate outra vez



Hoje faz 36 anos que Cartola se foi e as rosas continuam falando na música brasileira.
O mundo é um moinho, mas meu coração sempre bate outra vez com esperança quando ouço Seu Agenor.
A benção, mestre. Tiro minha cartola para você.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

partida final


como quem partiu...

"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu..."

duas palavras

A menina que roubava livros, de Markus Zusak, 2005.

the sun

"Here comes the sun, here comes the sun / and I say it's all right..."
Uma das canções mais lindas dos Beatles, e uma das poucas compostas por George Harrison, cantada por ele no álbum Abbey Road, de 1969, tocando guitarra, violão, sintetizador moog e batendo palmas.
A letra é simples, quase ingênua, mas a essência de paz, beleza e esperança transborda na musicalidade e interpretação. Harrison compôs na casa de seu grande amigo, Eric Clapton.
15 anos hoje sem My Sweet Lord... O sol de suas canções continua chegando.

domingo, 27 de novembro de 2016

black friday vintage

video

olhar e ver

foto Henri Cartier-Bresson, Bruxelas, Bélgica, 1932
A questão não é o que você olha, mas o que você vê.
- Henry D. Thoreau

o caminho de volta

Há seis anos o ator e cineasta Dennis Hopper foi enterrado na cidade Taos, Novo México. Foi lá que ele digiriu, atuou e editou o clássico Sem destino (Easy rider), em 1969.
Era o desejo dele.

exílio zen

Quando o cineasta Yasujiro Ozu faleceu, em 1963, sua atriz preferida, Setsuro Hara, parou de fazer cinema e se recolheu na cidade provinciana de Kamakura.
Mesmo recusando-se a dar entrevistas e deixar-se fotografar, exilou-se com tranquilidade, sem amarguras, se forma zen, ao contrário de Greta Garbo.
Sua partida definitiva, aos 95 anos, foi em setembro do ano passado, e anunciada dois meses depois. Minimalista como em um filme de Ozu.

sábado, 26 de novembro de 2016

silêncio no set

Menos de uma semana depois do falecimento do cineasta e produtor Marcio Curi,o cinema brasiliense perdeu ontem o cineasta e montador Manfredo Caldas, aos 69 anos.
Em 1988 dividimos uma noite de alegria na premiação do Margarida de Prata, conferido pela CNBB, a ele na categoria de longa-metragem, por Uma questão de terra, e a mim pelo curta Um cotidiano perdido no tempo.
Meu coração lhe abraça, parceiro.
2016, pisa devagar... já tá demais.

o dia


"No dia em que acontecer mesmo, não sei como convenceremos as pessoas de que é verdade."
- Fidel Castro em 2008, a respeito dos boatos de que estaria morto.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

cubra-me

Baseado em um miniconto de terror, Um outro escondido, de Juan J. Ruiz, o cineasta português Ignacio F. Rodó adaptou o susto para o cinema no curta Tuck me in, 2014.

mandato de despejo aos mandarins do mundo

ULTIMATUM
Álvaro de Campos, 1917

Maria Bethânia, 2007

Atualíssimo!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

saudoso Adoniran

foto Otavio Valle
Se o senhor não tá lembrado, dá licença de contar: hoje faz 34 anos que o grande Adoniran Barbosa se foi cantando o samba do Arnesto...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

o que acontecia com Nina

"Quando ela se apresentava, era brilhante, era amada. Ela também era uma revolucionária. Ela achou um propósito no palco, um lugar no qual poderia usar a voz para defender seu povo.
Porém, ao fim do espetáculo todos iam para casa. Ela ficava sozinha e continuava combatendo seus próprios demônios, tomados de raiva e fúria. Ela não se aguentava e tudo vinha abaixo."
- Lisa Simone Kelly, filha de Nina Simone, em entrevista no documentário, What happened, miss Simone?, de Liz Garbus, 2015.

Acima, a cantora fotografada por David Corio durante show em Ronnie Scotts Jazz Club, Londres, 1984.

a última estação



Triste notícia vespertina nesta terça-feira: o cinema brasiliense perde o cineasta e produtor Marcio Curi.
Grato, amigo, pelo tempo que nos juntou no mesmo set da vida...

Santa Música

Pela crença cristã, Santa Cecília, uma abnegada mocinha de família nobre romana, cantava para Deus quando estava morrendo. Em sua homenagem é considerada a Padroeira dos Músicos. Ou da Música Sacra, como preferem os estudiosos no assunto.
No calendário litúrgico da Igreja Católica, por uma possível data relacionada ao dia de sua morte, foi escolhido 22 de novembro para a festa em sua louvação.
No Brasil comemora-se o Dia do Músico. Parabéns a todos que são músicos todo santo dia! Só eles sabem quanta abnegação para afinar e sobreviver com as cordas que o diabo amassou neste país.
St Cecilia, óleo sobre tela de Guido Reni, 1606. O quadro encontra-se no Norton Simon Museum, Califórnia.

travessia

“Agora ela sabia: um livro é uma canoa. (...) Tivesse livros e ela faria a travessia para o outro lado do mundo, para o outro lado de si mesma” (p.238).

coração




Certas partes
do corpo
só podem
ser tocadas
pela alma

Thomaz Sachetto

som. câmera. ação!



"Existe algo mais importante do que a lógica: é a imaginação. Se pensamos primeiramente na lógica, não podemos imaginar mais nada."
- Alfred Hitchcock

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

domingo, 20 de novembro de 2016

a última noite de Altman

foto Patrick Demarchelier

“Não acredito que vivamos uma guerra nos Estados Unidos, mas sim uma campanha de bombas”.

A declaração foi do cineasta Robert Altman durante a apresentação do seu filme A última noite (A Prairie Home Companion), no Festival de Berlim em fevereiro de 2006.
O filme, um musical country e uma evocação nostálgica da América, é uma saraivada de críticas à política do maluco então presidente George “War” Bush.
O enredo descreve a história de um programa de rádio transmitido semanalmente ao vivo há 30 anos, basicamente com música country, apresentado em um teatro que será demolido para dar lugar a um estacionamento.
O octogenário Altman compõe sua narrativa como sempre composta por uma rede de personagens. A forma ficcional e quase documentária retrata a imaginária última transmissão do programa. Nessa noite, os presentes são visitados por um anjo que veio para confortar os artistas. Esse viés sarcástico, crítico e inteligente é uma das marcas do diretor, desde MASH, 1970, uma sátira à Guerra da Coreia.
À propósito da forma de denúncia de Altman, a atriz Merryl Streep, à frente do elenco no Festival, disse que "esse filme é subversivo porque trata de algo que, ultimamente, se perdeu nos Estados Unidos: o senso de humanidade e o humor.” Que dirá agora nestes tempos do pato Donald Trump!...
Mesmo exibido como um dos concorrentes favoritos, o filme não recebeu nenhum prêmio. Altman estava muito doente de um câncer desde as filmagens. Tanto que contratou o amigo Paul Thomas Anderson como diretor reserva caso não tivesse condições de continuar. Nove meses depois de voltar de Berlim, em 20 de novembro, o cineasta faleceu.

sábado, 19 de novembro de 2016

o último show

"Todo dia em que eu levanto e subo num palco é como se fosse o último show pra mim."
A cantora Sharon Jones disse em uma entrevista quando esteve ano passado no Brasil, para uma série de apresentações em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre.
Mesmo diagnosticada com câncer, a grande dama do rhythm and blues, do soul e do autêntico funk, não pronunciava como uma sentença, em tom fatalista, mas como um aprendizado diário para enfrentar as dificuldades e respirar as manhãs que a vida lhe oferecia. Seguia à risca a máxima do filósofo romano Horácio: “carpe diem”/“aproveite o dia”.
Sharon foi a influência declarada de Amy Winehouse. Metade das faixas do já antológico disco Back to black, 2006, tem a participação de The Dap-Kings, banda que acompanhava a cantora americana desde o início de sua carreira, e que se tornou uma marca indissociável de ritmo e voz, entre os arranjos metais e a vocalista.
Sharon se foi na noite de ontem, aos 60 anos. Subiu noutros palcos para novos últimos shows.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

15 de novembro

"A República foi proclamada pelos banqueiros que tinham vontade de ocupar o lugar da nobreza, e ter aqueles luxos e privilégios, mas que não conseguiram porque não tinham o sangue azul. Então, eles armaram a Proclamação para ocupar o espaço nobre e tiveram o cuidado de manter a mesma estrutura."
- A República e sua proclamação na visão lúcida de Eduardo Marinho, um brasileiro, 2016.
Acima, a República proclamada na visão em óleo sobre tela de Benedito Calixto, um brasileiro, 1893.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

afasta de mim esse "cale-se"

O funcionário de uma barbearia na Tijuca perdeu um cliente por falar mal de Chico Buarque, a quem chamou de "comunista".
Após ouvir que tocava Chico no rádio, o responsável pelo caixa perguntou: "Odeio comunista. Vocês se incomodam se eu tirar a música desse escroto?".
O cliente rebateu: "Você acaba de perder um cliente. Intolerância política já é ruim. Cultural é pior ainda!".
Houve um tempo da delicadeza...

domingo, 13 de novembro de 2016

domingo com Drummond


é tudo verdade

Só dez por cento é mentira, documentário dirigido por Fábio Fabuloso, 2008, sobre a vida e obra do mato-grossense-do-sul Manoel de Barros.
Com lúcidos e bem humorados 91 anos de idade, à época, o autor é considerado o poeta mais original em língua portuguesa.
O filme é uma espécie de desbiografia, "mentiroso" na porcentagem certa.
Ele partiu e continuou passarinho há dois anos. E essa sua "mentira" é cem por cento verdade.
Minha lágrima molha seu chão...

o tempo de Manoel

desenho-poema de Manoel de Barros

"Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença."

- Manoel de Barros em O apanhador de desperdícios

Mas o poeta não atrasou sua partida há dois anos...

halleluja, Cohen!


dança comigo?


domingo com Caio

"Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais..."
- Caio Fernando Abreu em Ovelhas negras, 1995

sábado, 12 de novembro de 2016

estou pronto


Belíssimas capa e matéria do caderno de cultura do jornal Correio Braziliense sobre a partida do grande Leonard Cohen.

Texto Alexandra de Paula
Arte Severino José 


rio de canções

arte Elifas Andreato
Paulinho da Viola, 74 anos hoje de seu rio de canções em nossas vidas...

dizer

"O fascismo não é impedir-nos de dizer, é obrigar-nos a dizer."

O pensamento lúcido e atual de Roland Barthes. Hoje, 101 anos de nascimento.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

yes, mami

"I remember you well in the Chelsea Hotel / you were famous, your heart was a legend / you told me again you preferred handsome men / but for me you would make an exception..."
- Leonard Cohen

Gravada em seu quarto disco, New Skin for The Old Ceremony, 1974, o cantor canadense, que se foi hoje, compôs Chelsea Hotel #2 para Janis Joplin, com quem teve um caso quando os dois moravam no lendário Chelsea Hotel, New York, em 1968.
Li uma entrevista de Cohen, no começo dos anos 90, época em que se tornou budista, e depois vi no documentário Leonard Cohen: I'm Your Man, de 2005, em que ele se arrependia de ter exposto tanto a relação com a cantora, não por ela, que nem ligaria pra sinceridade da letra, mas pela mãe (dele!) que achava grosseiro alguém dizer numa canção intimidades como "you were talking so brave and so sweet / giving me head on the unmade bed... ", arriscando aqui uma tradução livre, "você estava falando tão corajosa e tão doce / fazendo sexo oral para mim na cama desarrumada..."
O cantor preferiu nunca ter gravado, assim como fez com Chelsea Hotel #1.

well you know that I love to live with you...

"Sabes Marianne, chegou este tempo em que estamos realmente tão velhos e os nossos corpos estão caindo aos poucos que acho que vou seguir-te muito em breve. Sei que estou tão perto de ti que se esticares a tua mão, acho que consegues tocar na minha."
Leonard Cohen escreveu estas palavras em uma carta, como antigamente, para Marianne Ihlen, ao saber de sua morte em julho passado, aos 81 anos.
A norueguesa Marianne foi a grande paixão da vida de Cohen, a musa inspiradora do hino de amor So Long, Marianne, entre outras tantas canções.
“Now so long, Marianne, it's time that we began …”
Cohen, aos 88 anos, foi ontem andar de mãos dadas com Marianne.

so long, cohen

Leonard Cohen em foto para a capa do seu vigésimo disco, Songs of the road, lançado em 2010, gravado ao vivo em shows de 2008 a 2009.
Não é um disco de raridades, mas Cohen canta uma série de músicas menos conhecidas, como Heart with no companion e That don't make it junk e versões variantes e belíssimas de algumas de suas canções mais famosas.
Os destaques são as faixas que Cohen brinca com saudade a ordem dos versos em Suzanne (inspirado em seu relacionamento platônico com Suzanne Verdal) e adiciona um novo verso para Bird on a Wire (feita para seu grande amor, Marianne).

as canções que você fez pra mim

Leonard Cohen cantava o amor em suas canções.
Marianne, o grande amor de sua vida.
Para ela, compôs um hino, So long, Marianne, entre outras tantas canções.
Cohen era um sedutor, um apaixonado pela maravilha da humanidade que são as mulheres, o universo feminino em sua singularidade de beleza d'alma.
Marianne simbolizou em sua vida o sinônimo do Amor.
Tornamo-nos eternos no coração de quem nos quer bem.

Cohen eterno

Tornamo-nos eternos no coração de quem nos quer bem.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

meu coração não contenta

"Você me chama, eu quero ir pro cinema"
Verso do poema Go back, de Torquato Neto, escrito em 1971, musicado pelo tecladista do Titãs, Sérgio Brito, gravado no disco homônimo ao vivo da banda, 1988.
Na foto, o poeta contracenando com Scarlet Moon em Nosferatu do Brasil, de Ivan Cardoso, 1971.
Torquato faria hoje 72 anos... "mas de repente, a madrugada mudou" e ele se foi um dia depois de seu aniversário, aos 28.

palavras


"Mas não se diz nada apenas por dizer..."
- Mona Gadelha

Não, não, não, as palavras não leva o vento, nem o mar... as palavras têm a poder da oração, as palavras têm a súplica da prece, as palavras têm a insistência do mantra, as palavras tanto batem até que se escuta, tanto se escuta que ficam no coração.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

estar perto

 
Os famosos e os duendes da morte, de Ismael Caneppele, romance, 2008.

em surdina

"Morte, morte.
Levamos toda a vida morrendo em surdina.
No trabalho, no amor, acordados, em sonho.
A vida é a vigilância da morte,
até que seu fogo veemente nos consuma
sem a consumir."

Cecília Meireles em Poesia Completa, edição de 1994

contos de morte

"Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler."

A menina que rouba livros (The book thief), drama do australiano Markus Zusak, publicado em 2005.
O livro tem como narradora a Morte, cuja função é recolher a alma de todos aqueles que se vão. Ou vêm.

verdade inconveniente

Na manhã do dia 2 de novembro de 1975, em uma tranquila praia italiana, perto de um hidro-aeródromo na cidade de Óstia, uma senhora se chocou com o aparecimento do corpo, desfigurado, de um dos maiores cineastas e poetas que o mundo já viu: Pier Paolo Pasolini. Tão controversa quanto sua vida, sua morte tem até hoje mistérios difíceis de decifrar.
Com base em conversas com seus discípulos, tais como Bernardo Bertolucci e Alberto Moravia, o pouco conhecido documentário Quem fala a verdade deve morrer (Wie de waarheid zegt moet dood), de Philo Bregstein, produção holandesa de 1981, tenta descobrir a verdade por trás do terrível assassinato desse mito da sétima arte.
Em uma narrativa investigativa, o filme analisa as teorias em torno do crime. Segundo a versão oficial, o cineasta, comunista declarado e homossexual assumido, teria sido torturado e atropelado por garoto de programa.
Há quem acredite, porém, que se tratou de uma conspiração do governo italiano. Desde os anos 60 o país vivia anos de chumbo, caracterizado por crises econômicas, conflitos sociais, massacres terroristas realizados por grupos extremistas com o suposto envolvimento da inteligência dos Estados Unidos. Após a morte de Pasolini, esse período teve momento mais conturbado com o assassinato do líder democrata-cristão Aldo Moro, em 1978.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

histórias ainda não contadas

 
Matéria de capa do caderno Vida&Arte, do jornal O Povo, assinada por Camila Holanda, sobre a produção suspensa do documentário Música do Ceará - Lado A Lado B, de Nirton Venancio.