quinta-feira, 31 de março de 2016

libélulas e baionetas

Em 1968 o fotojornalista Evandro Teixeira registrou libélulas pousadas nas baionetas de soldados durante evento, em Brasília, com a presença do marechal Costa e Silva.
A foto rendeu-lhe uma noite de prisão.
1964: Nunca Mais Outra Vez!

o primeiro dia

O fotojornalista Evandro Teixeira foi o único civil no Forte de Copacabana na madrugada do dia 1º de abril de 1964.
Fez registros exclusivos do primeiro ato da ditadura militar.
1964: Nunca Mais Outra Vez!

quarta-feira, 30 de março de 2016

a bela programada

A canadense Carrie-Anne Moss no papel da agente Trinity, membro de uma linhagem cibernética criada em um programa, no holográfico Matrix, dirigido pelas irmãs transgêneras Lilly e Lana Wachowski, em 1999.

a bela Barbarella

Jane Fonda em 1968 no papel da astronauta que, solitária, patrulhava as galáxias em busca de criminosos que ameaçavam a Terra.
Barbarella, ficção científica que se passava no inimaginável século 40, dirigido por Roger Vadim, hoje é um exemplar vintage'de como era o futuro antigamente.

a bela justiceira

A sul-africana Charlize Theron no papel-título de AEron Flux, apocalíptica ficção científica ambientada no distante 2415, dirigida pela novaiorquina Karyn Kusama em 2005.
A sexy personagem interpretada a altura pela ótima atriz, tem a incumbência de salvar o que resta da humanidade depois que o planeta foi dizimado por uma misteriosa doença, e enfrentar os vilões interesseiros em lucrar com a desgraça.
Charlize Theron, com seu figurino neo-gótico, teve aulas com integrantes do Cirque du Soleil para aperfeiçoar os malabarismos de lutas.

a bela contra a fera

Sigourney Weaver, a sensual tenente Ellen Ripley de Alien, o 8º Passageiro (Alien), de Ridley Scott, 1979.
Embora tenha feito uma pequena participação, um ano antes, em Annie Hall, de Woody Allen, a atriz novaiorquina considera o filme de ficção científica e terror como sua estreia definitiva no cinema.

a bela da ilha

Scarlett Johansson é Jordan Two-Delta, a única mulher de carne, osso, alma e sensualidade em uma regrada comunidade de clones humanos, que no futuro-daqui-a-pouco, 2019, não está contaminada por um vírus mortal.
A ilha, dirigida por Michael Bay, 2005, é uma sátira inteligente sobre a possibilidade de clonagem reprodutiva, de existência de um ser humano completo geneticamente igual a outro.

bela e andróide

Sean Young no papel da replicante Rachel, com seu figurino retrô e noir, no futurista, visionário e cultuado Blade Runner - O Caçador de Andróides, de Ridley Scott, 1982.

a bela replicante

Daryl Hannah é a replicante Pris Stratton, na verdade uma humana louca que acreditava ser uma replicante. Disfarça-se de manequim e usa suas habilidades de ginástica para emboscar Harrison Ford, uma espécie de caçador de androides perdidos em Blade Runner, de Ridley Scott, 1982.
Com seu visual punk new age, a atriz tem um dos seus melhores personagens nesse distópico filme noir de ficção científica.

a bela espiã

Produzido em 1966 e com história ambientada em plena guerra fria, Viagem fantástica, de Richard Fleischer, é nitidamente um filme de ficção científica sem avançar no tempo.
Tudo gira em torno de cientistas espiões de um lado e do outro com a 'cortina de ferro' no meio. Ou seja, Estados Unidos e União Soviética já brincando com seu playstation analógico em prol da destruição.

A bela Raquel Welch é Cora Peterson, uma assistente que embarca em um submarino miniaturizado e injetado no corpo de um espião.
Mas foi o corpão escultural da atriz que ficou maximizado e memorizado na viagem fantástica que o cinema eterniza.

a bela e o elemento

A ucraniana Milla Jovovich no papel da sexy e crucificada robô humanizada Leeloo, vestindo figurino criado por Jean-Paul Gaultier, em O Quinto Elemento (Le Cinquième élément), mística ficção científica dirigida pelo maridão Luc Besson, 1997.

a bela tempestade


Halle Berry personifica com segurança e sensualidade a sua Tempestade em X-Men. Ajuda, salva e sai de mãos dadas com o herói Wolverine.
Misto de ficção científica, ação e fantasia, o filme dirigido por Bryan Singer em 2000, partiu das histórias de aventura de Marvel Comics, clássica editora de quadrinhos, que tem seus personagens muito bem definidos no gênero.
Halle Berry é a perfeição em corpo e talento dos traços da Tempestade.

a bela essência

Como se não bastasse o esplendor esguio de Carrie-Ann Moss na série Matrix, das irmãs Wachowski, 1999, eis que entra na sequência Reloaded e Revolutions a deidade italiana Monica Bellucci, interpretando apropriadamente a personagem Perséfone, a deusa das ervas, flores, frutos e perfumes na mitologia grega.
O que era apenas holografia no cultuado filme de ficção científica, passou a ter essência, aroma. É só abrir os olhos e respirar Monica.

terça-feira, 29 de março de 2016

a beleza de Monica

foto Rasmus Mogensen, 2009.
Monica Bellucci.
Tua beleza "desabrocharás para a madrugada...", como amaria Vinicius.

"o amor é filme..." - Lirinha



beleza oblíqua

Foto de Giancarlo Botti, Theatre de Paris, 1961
Romy Schneider.
"Esse teu olhar oblíquo...", como diria Machado de Assis, ou "esse teu olhar quando encontra o meu...", como amava Vinicius...

banho de beleza

foto Georg Oddner, 1953.
Anita Ekberg.
À meia-luz por inteira, banhando-se em sensualidade bem antes de banhar-se na Fontana di Trevi.

garras de seda

foto Ernst Haas, 1961

Marilyn Monroe.
Esse teu olhar de garras de seda...


O perfil da beleza e talento

foto Annie Leibovitz

Cate Blanchet.

cometa Hally


Hally Berry.

"tua pele um bourbon", como canta Djavan.

olhar atlântico

foto Philippe Halsman, 1959

Sophia Loren.

olhar na noite calma

foto Michelangelo Antonioni, 1964

Monica Vitti.
E esse olhar "para que o amor te encontre na suavidade morna de uma noite calma...", como diria Drummond.

foto Michelangelo Antonioni, 1964

a beleza


Eva Mendes. 

Você deixaria a rua deserta se não olhasse pra trás, como diria Caetano.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Mônica Schmiedt

Mônica Schmiedt, amiga cineasta e produtora do cinema gaúcho, soube agora de sua partida para além dos pampas, para outro além... Ficamos aqui órfãos de sua presença esguia no set brasileiro.
Meu coração lhe abraça com saudade, Mônica.

as ondas

"O que quero dizer é que te devo toda a felicidade da minha vida. Fostes inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom."
No dia 28 de março de 1941 Virginia Woolf escreveu uma breve e comovente cartaz ao marido, o também escritor Leonard Woolf.
Encheu de pedras os bolsos de seu casaco e se afogou no Rio Ouse, perto de sua casa, em North Yorkshire.
O começo da Segunda Guerra Mundial, a destruição da sua casa em Londres durante uma busca, a fria recepção da crítica à sua biografia do seu amigo Roger Fry... Virginia Woolf tinha 57 anos, sentiu-se impedida de continuar escrevendo, e sucumbiu à grave crise de depressão.

como esquecer

"O esquecimento só se completa quando passa pelo corpo."
Myriam Campello em seu romance Jogo de Damas, 2010.

o dia nosso de cada pão

Moldamos os dias, noites e eclipses pelo que se habitua a fazer e pelo que deixou de acontecer.
Hoje é o despertar do que começamos, com a tarde que continuamos e o descanso que nos anoitece.
É uma invenção, uma abstração para organizar o que há de concreto.

última segunda


Última segunda-feira da última semana do mês.
Iniciam-se os trabalhos pós-feriadão.

a beleza



Juliette Binoche. 

Como diria Vinicius, "bela e inesperada".

domingo, 27 de março de 2016

o cinema de Mário

Em 1931 foi projetado pela primeira vez o primeiro e único filme de Mário Peixoto, Limite, no Cinema Capitólio, em sessão organizada pelo Chaplin Club, um cineclube criado por cinéfilos no Rio Janeiro.
O que seria apenas uma exibição de um filme esquisito dirigido por um cineasta de poucas palavras, ganhou notoriedade, provocou debates, estimulou estudos sobre a novata sétima arte, influenciou cineastas pelo mundo. É um marco no cinema brasileiro. Nunca teve uma distribuição comercial. Ao longo dos anos, foi exibido em mostras, aberturas de festivais, e há pouco tempo lançado em dvd/bluray.
Em 2008, o cineasta Martin Scorsese, um entusiasta da obra brasileira, promoveu através de sua ONG World Cinema Foundation, a restauração da película, em cópia 35mm.
Limite é o que se chama de cinema puro. Está no mesmo nível de O encouraçado Potemkin, de Serguei Eisenstein, e outros filmes seminais. Os enquadramentos, os movimentos de câmera, a fotografia preto-e-branco, a montagem, os conflitos e a dissecação da alma dos personagens... O cinema comprometido com uma arte que nascia.
E há 108 anos nascia Mário Peixoto.

como um dia de domingo

Segundo a fé Cristã, a Páscoa é a comemoração do fundamento e da crença que Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia.
Não tem nada a ver com ovinhos e coelhinhos pulando.
O que aconteceu foi que a própria Igreja Católica, lá nos primórdios, preocupada em tornar o Cristianismo mais atraente para os ditos não-Cristãos, misturou a ressurreição de Jesus com rituais de fertilidade que ocorriam na primavera, e ovos e coelhos simbolizam a fecundidade, multiplicação, abundância. Renascimento.
E é do pintor renascentista Rafael Sanzio, a obra acima, Ressurreição de Cristo, 1502.
Encontra-se no Museu de Arte de São Paulo, desde 1954, graças ao historiador e colecionador Pietro Maria Bardi, então diretor da instituição.

sempre por enquanto

Ele cantava que o "pra sempre sempre acaba". Nem tanto, Renato Russo. Não é sempre assim. Eu sei que alguma coisa aconteceu, está tudo assim tão diferente depois que você se mandou pra Via-Láctea... Sempre existe um caminho, sempre existe uma luz.
Hoje ele faria 56 anos. Mudaram as estações nesse dia. Sua música ficou por aqui, e quando ouço só penso em você.
Minha música favorita é Vento no litoral, faixa 7 do disco V. Se não tivesse criado tantas canções belíssimas, e tivesse feito somente essa obra-prima, já teria valido tudo pelo vento no litoral. Ver a linha do horizonte me distrai.
Olho essa sua foto acima, adolescente urbano nos tempos da Aborto Elétrico, em Brasília, e desconverso dizendo que o pra sempre nem sempre acaba. Olha só o que achei... cavalos-marinhos.

enviesado

foto Mark Seliger, 2012
Quentin Tarantino, 53 anos hoje, o dândi enviesado da violência coreográfica no cinema.

domingo de Páscoa no parque

Interferência do cartunista M. Wueker sobre quadro Un dimanche après-midi à l'Île de la Grande Jatte, de Georges-Pierre Seurat, 1884.
(O título é mais uma interferência, minha)

os sonhos

"Nós somos feitos da mesma matéria dos sonhos."
No Dia Mundial do Teatro, lembrando William Shakespeare, através de Próspero, em A tempestade, 1610.

os poetas

"Precisamos dos poetas para dar coerência aos sonhos".
No Dia Mundial do Teatro, lembrando o dramaturgo italiano Luigi Pirandello, na peça inacabada Os gigantes da montanha.

mãe coragem

No Dia Mundial do Teatro, lembrando a atriz austríaca Helene Weigel, a primeira a interpretar o papel principal de Mãe Coragem e seus filhos, de Bertold Brecht, no palco do Teatro Schauspielhaus, em Zurique, dirigida por Leopold Lindtberg, em 1941.

um homem de paz

"Sou um homem da paz. Mas a paz tem um inimigo: a passividade".
No Dia Mundial do Teatro, lembrando o grande teatrólogo Augusto Boal.

os diálogos

"Só eu sei o trabalho que me dá empobrecer os meus diálogos...
No Dia Mundial do Teatro, lembrando o grande dramaturgo Nelson Rodrigues.

o resto é silêncio

"HAMLET: Morro, Horácio; o veneno me domina já quase todo o espírito; não posso viver para saber o que nos chega da Inglaterra. Contudo, profetizo que há de ser escolhido Fortimbras. Meu voto moribundo é também dele. Dize-lhe isso e lhe conta mais ou menos quanto ora aconteceu... O resto é silêncio.

(Morre.)

HORÁCIO: Um nobre coração que assim se parte. Boa noite, meu bom príncipe. Que os anjos com seu
canto ao repouso te acompanhem. E esse tambor agora?"


Trecho da Cena II, Ato Quinto, de Hamlet de William Shakespeare.

O príncipe dinamarquês foi um dos poucos personagens do dramaturgo inglês que o nosso grande Paulo Autran não interpretou. Mas são inesquecíveis suas atuações vivendo Rei Lear e Otelo, assim como o grande Harpagon de O avarento, de Molière, sua despedida nos palcos.

Paulo Autran não fez Hamlet, assim como não fez Romeu. Mas era um ator tão completo que parecia incorporar em si todos esses grandes.

Viva Paulo Autram! Viva o Dia Mundial do Teatro!

sábado, 26 de março de 2016

aquele beijo que lhe dei

Um dos beijos mais famosos da história da humanidade: o beijo com segundas intenções de Judas em Cristo.
O quadro de beleza hipnótica, A Captura de Cristo, de Caravaggio, 1602, encontra-se na Galeria Nacional da Irlanda.

sexta-feira "santa"


Jesus superstar

Jesus sempre teve aquele jeitão de hippie, e no filme ópera-rock Jesus Cristo Superstar (Jesus Christ Superstar), Ele manda ver no rock'n'roll, gírias e paixões carnais.
Baseado no musical homônimo de Tim Rice, o filme foi dirigido por Norman Jewison, produção americana de 1973, e narra de forma anacrônica a última semana no moço da Galileia. Claro que a Igreja não abençoou essa história.

Jesus nas ruas

Jesus de Montreal (Jésus de Montréal), de Dennys Arcand, produção canadense, 1989.
Um grupo de atores encena pelas ruas de Montreal, de forma nada convencional, uma versão teatral de A Paixão de Cristo. Para complicar, a via-crúcis de Jesus se confunde com as dificuldades de cada um do elenco.
No filme, a peça não é vista com bons olhos pela Igreja. Fora do filme também.

tentação da Páscoa

Na foto, o ator Enrique Irazoqui, interpretando Cristo em O evangelho segundo São Mateus (Il vangelo secondo Matteo), dirigido por Pier Paolo Pasolini, em 1964.
O filme é excelente, foge a todo tipo de leitura das produções que mitificam e edulcoram a "maior história de todos os tempos". Passar na TV? Não vejo a mais remota possibilidade.

bendito fruto

Barriguinha da atriz Myriem Roussel no cartaz de Je vous salue, Marie, de Jean-Luc Godard, França/Suíça, 1985.
Maria grávida de José. Bendito é o fruto em Vosso ventre, Jesus.
O filme foi proibido durante o governo do "imortal" José Sarney. O "rei" Roberto Carlos, aquele que um dia mandou tudo pro inferno, foi um dos que mais insistiram na censura. Sabe-se que ele mandou um telegrama ao Presidente: “Cumprimento Vossa Excelência por impedir a exibição do filme ‘Je vous salue, Marie’, que não é obra de arte ou expressão cultural que mereça a liberdade de atingir a tradição religiosa de nosso povo e o sentimento cristão da Humanidade. Deus abençoe Vossa Excelência. Roberto Carlos Braga.”
A então Primeira Dama também esteve à frente do veto, ao que Robertão poderia ter comentado: "Je vous salue, Marly".

nem Cristo é de ferro

O ator Robert Powell e o diretor Franco Zeffirelli nos intervalos da cena de crucificação de Jesus de Nazaré, 1977, um dos filmes mais vistos sobre o tema de dois mil anos atrás.
Zeffirelli, como um cineasta atento ao seu elenco, dá um acalanto de um uísque antes e um cigarro depois ao ator que tem uma longa caminhada desde Belém, do nascimento à ressurreição.

uma selfie com Cristo


perdoa-me por me traíres

Judas quer compreender a mensagem de Cristo, e acha que os broders apóstolos estão seguindo sem questionar as palavras do Mestre. Judas discute com eles, e tenta defender o seu direito de adivinhar a verdade de Deus. Mas quando não consegue fazê-los compreender, percebe que os ensinamentos de Cristo podem cair no esquecimento, sem beneficiar a humanidade. Sua solução é trair Cristo.
Essa versão enviesada e curiosa do apóstolo que virou sinônimo da deslealdade e da postura pérfida, é apresentada no filme russo Judas, de Andrey Bogatyrev, de 2013, e até onde sei, exibido no Brasil apenas na mostra Semana de Filmes Russos em Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.
“Muitos aspectos da vida não são tão simples como parecem ser. Devemos esforçar-nos para tocar o chão da história”, disse o diretor em entrevista, argumentando seu interesse pelo personagem e seus conflitos, extraído do livro Judas Iscariotes e outras histórias, de Leonid Andreev, de 2004.
O autor, assim como posteriormente o cineasta, desenvolvem a tese de que não se trata de crime intencional, nem de culpa, mas de um desígnio obscuro que parece reger a vida de certos homens contra a vontade deles, contra a razão, contra a salvação.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Leila para sempre Diniz

Bem antes de Demi Moore estampar seu barrigão na capa da revista Fanity Fair, em 1991, a nossa eterna Leila Diniz já exibia sua gravidez nas areias escaldantes da Praia de Ipanema, em 1971, aqui retratada pelo grande David Zingg, em seu estúdio.
Hoje ela teria vivido 71 anos, e com certeza seria a mesma beleza irreverente, marcante, personalidade ousada e corajosa que quebrou tabus e desafiou a ditadura militar com sua gravidez.
O poeta Drummond bem definiu a musa dizendo que "sem discurso nem requerimento, Leila Diniz soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão."
E Rita Lee confirmou que desde então "toda mulher é meio Leila Diniz."