sábado, 26 de março de 2016

perdoa-me por me traíres

Judas quer compreender a mensagem de Cristo, e acha que os broders apóstolos estão seguindo sem questionar as palavras do Mestre. Judas discute com eles, e tenta defender o seu direito de adivinhar a verdade de Deus. Mas quando não consegue fazê-los compreender, percebe que os ensinamentos de Cristo podem cair no esquecimento, sem beneficiar a humanidade. Sua solução é trair Cristo.
Essa versão enviesada e curiosa do apóstolo que virou sinônimo da deslealdade e da postura pérfida, é apresentada no filme russo Judas, de Andrey Bogatyrev, de 2013, e até onde sei, exibido no Brasil apenas na mostra Semana de Filmes Russos em Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo.
“Muitos aspectos da vida não são tão simples como parecem ser. Devemos esforçar-nos para tocar o chão da história”, disse o diretor em entrevista, argumentando seu interesse pelo personagem e seus conflitos, extraído do livro Judas Iscariotes e outras histórias, de Leonid Andreev, de 2004.
O autor, assim como posteriormente o cineasta, desenvolvem a tese de que não se trata de crime intencional, nem de culpa, mas de um desígnio obscuro que parece reger a vida de certos homens contra a vontade deles, contra a razão, contra a salvação.

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