quinta-feira, 31 de outubro de 2013

o Saci contra-ataca

Halloween que nada! Isso é um evento tradicional dos países anglo-saxônicos, com especial relevância nos dominadores Estados Unidos. Nossa identidade cultural é o moleque SACI PERERÊ, que se comemora hoje, 31. 

Nosso personagem mitológico foi criado pelos índios da região sul do Brasil no fim do século 18, e morando na mata, é guardião das plantas sagradas que utiliza para fazer remédios curativos. As bruxas do Tio Sam não estão com nada, só sabem assustar e nos roubar doce e guloseimas.

sábado, 19 de outubro de 2013

quando eu me chamar saudade

"Foi sacanagem a forma que me expulsaram do Itamaraty!", desabafou o poeta Vinicius de Moraes, lá pelos anos 70, a respeito de sua saída compulsória, definitiva e sumária dos quadros do Ministério das Relações Exteriores na época da ditadura.

Após 26 anos de serviços prestados ao Itamaraty, o poeta foi "aposentado" pelo regime militar em 1968, já como resultado da promulgação do AI-5. O general-presidente de plantão, Costa e Silva, exigia o desligamento do serviço público de "bêbados, boêmios e homossexuais". Brincalhão, Vinicius disse "eu sou o bêbado." O ministro Magalhães Pinto foi curto e grosso: "demita esse vagabundo!"

Com a exoneração o poeta ficou muito magoado e deprimido. Extravasou seus sentimentos na poesia e na música. Na língua nagô a expressão "na tonga da milonga do kabuletê", gravada em 1970 em parceria com Toquinho, significa algo como "vão todos à merda!" Curto e diplomático.

Há três anos, em Brasília, o poeta foi promovido pelo então chanceler Celso Amorim à condição de Embaixador do Brasil, com a presença de parentes e amigos, como a cantora Miúcha.

Em algum cantinho, em bom lugar, o nosso eterno poetinha deve estar curtindo, com seu uisquinho, essa tardia reparação, embora ele nunca tenha deixado de ser o que lhe tomaram, pois dizia-se "eu, o capitão do mato, Vinicius de Moraes, poeta e diplomata."

E porque hoje é sábado, e é seu aniversário, a benção, meu mestre.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

La vita è bella

A deusa Anita Ekberg resolve tomar banho com roupa na Fonte de Trevi enquanto Marcello Mastroianni tenta achar leite para um gatinho, que ela tinha visto nas ruas. Ao retornar, Marcello vê Anita se banhando e se deslumbra, principalmente quando ela o convida.

A cena é do filme "A doce vida" (La dolce vita), de Federico Fellini, rodado em 1960. Mastroianni é o jornalista Marcello Rubini, e Anita vive uma fictícia atriz hollywoodiana chamada Sylvia Rank. Escândalo mundial, premiado em Cannes e Oscar de melhor figurino, o longa é um retrato da Roma em seu esplendor, e antecipou as mudanças que fizeram dos anos 60 a década da transformação, mostrando o tempo da velocidade, da americanização dos hábitos, dos carros e das mulheres formidáveis.

"A doce vida" é todo cheio de cenas emblemáticas, como a abertura, com a sequência da estátua do Cristo sobrevoando Roma, não por milagre, mas transportado por um helicóptero, dentro do qual estão os repórteres sensacionalistas e um fotógrafo paparazzi - termo que acabou sendo incluído no vocabulário mundial.

Começo dos anos 60 e a Itália mergulhava num otimismo desvairado. Acabara a guerra e ninguém queria mais saber do cinema neo-realista - do qual o próprio Fellini havia emergido, simplesmente porque ninguém desejava se recordar da violência, da miséria, da humilhação.

A vida era bela.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

el nombre del hombre muerto

Obra do pintor renascentista Andrea Mantegna, "Lamentações sobre Cristo morto", exposta numa pinacoteca em Milão.

Sempre que vejo esse belíssimo quadro, lembro-me da imagem de Che Guevara morto, o cadáver exposto num lavadero do hospital Nuestro Señor de Malta, en Vallegrande, Bolivia. 

"El nombre del hombre muerto, ya no se puede decirlo, quién sabe? antes que o dia arrebente, antes que o dia arrebente..."