quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

chegam nessa hora agora

Nesta tarde de quinta-feira recebo uma ligação celular do meu caro Adeilton Lima: só pra dizer que a caminho da casa de sua mãe para uma visita, ouvia no rádio Fagner cantando "Manera Frufru" e lembrou de mim... e como os amigos se pertencem e o universo cuida dessa sintonia, estava justamente dando uns ajustes finais no projeto do longa documentário "Pessoal do Ceará", que devo continuar as filmagens neste ano.

Nesses momentos a vida dá um sacolejo nos seus significados. As boas energias se conectam e "estrela, sol e astro, lua / chegam nessa hora agora / para louvar / santa alma branca / centauro fru fru / fru fru manera...", como diz a letra no disco que, não à toa a coincidência, faz em maio próximo 40 anos que foi lançado.

a mulher de longe

Hoje, na Cinemateca Brasileira, São Paulo, pré-estreia do novo filme de Luiz Carlos Lacerda "A mulher de longe", uma reconstituição poética do filme inacabado dirigido pelo escritor mineiro Lucio Cardoso, a partir de imagens originais e diários das filmagens, rodado em 1949.

Sabe-se que o filme ficou desaparecido por quase 60 anos. A Cinemateca localizou os copiões e Lacerda, que em 1971 dirigiu o ótimo "Mãos vazias", inspirado no romance de Cardoso, fez um documentário onde recria toda a história da busca de locações, os problemas com chuvas, equipe e as razões para a desistência do escritor em interromper as filmagens do seu primeiro e único trabalho como cineasta.

Meu caro Bigo, pena que seu amigo aqui de longe não poderá ir a exibição hoje.

Mais detalhes na programação da Cinemateca.

domingo, 27 de janeiro de 2013

Luto e desprezo

É um absurdo: há cretinos babacas fazendo piadinhas no Facebook com a tragédia na boate em Santa Maria, RS, citando até música de cabaré pegando fogo.

Aos parentes das centenas de vítimas, meu coração dolorido, minha solidariedade.

Aos cretinos, meu total desprezo. Não os perdôo, eles sabem o que fazem.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

meu amigo Firmino

Essa figuraça aí na foto é um dos meus melhores amigos em Fortaleza: Firmino Holanda, pesquisador, crítico e professor de cinema, cineasta, roteirista, músico, tem uma coleção de vinil riquíssima, e um dos papos mais inteligentes e lúcidos sobre tudo.

Desde os anos 70, quando começamos a fazer filmes em Super-8, que nossa amizade se firmou, pra usar aqui um trocadilho com seu nome. Não conheço outra pessoa mais apaixonada por Glauber Rocha. Veneração total. Nas longas horas em que ficávamos conversando e ouvindo música em sua casa, eu brincava dizendo que ele se benzia ao passar diante de um enorme poster do cineasta baiano fixado na seu quarto-biblioteca. Igual a mim, Firmino é um "catador de papel", guardamos pastas e pastas com recortes de jornais e revista sobre cinema, e trocávamos matérias repetidas.

Outra paixão de Firmino é Orson Welles, e por conta disso publicou o livro "Orson Welles no Ceará", em 2001, uma pesquisa que considero a mais completa e definitiva sobre a passagem do cineasta em terras alencarinas para rodar "It's All True". Escreveu ainda "Benjamin Abraão - Juazeiro, cinema e cangaço", em 2000, outra maravilha de leitura sobre o fotógrafo que filmou Lampião.
Ano passado participou na pesquisa para o ótimo "Cartografia do Audiovisual Cearense", organizado por Luiz Bizerril.

Firmino como músico é uma agradável surpresa: faz trilhas que entendo como arranjos secos e ao mesmo tempo minimalistas.

Louco por Frank Zappa, perguntei-lhe uma vez qual o disco que ele mais gosta do roqueiro de Baltimore, ele respondeu: "todos".

O cineasta Petrus Cariry é um felizardo por ter o Firmino em seus filmes, como roteirista e montador.

Firmino não tem Facebook, não usa celular, nem sequer e-mail. Nem viaja. A saída mais longa dele foi de Fortaleza a Juazeiro do Norte, ou foi Crato, e faz tempo.
Computador, para escrever, claro. E apenas. Quando quero falar com ele, telefone fixo, ou mando recado por amigos em comum, como agora: mostra a ele esta postagem, Petrus.

Resolvi escrever sobre meu amigo querido e singular porque, pesquisando sobre cinema cearense, encontrei algumas fotos suas, que nem imaginava. Disso ele não pode se livrar: está na rede nem que não queira.

Abraço grande, meu caro!

Zózimo Bulbul

Zózimo Bulbul foi o primeiro ator negro a participar de novela, fazendo par romântico com a grande Leila Diniz. Isso em 1969, na TV Excelsior. Sua atuação marcante ficou também como um símbolo da luta contra o racismo descarado e disfarçado.

Zózimo lutou a vida inteira pelos direitos nas questões da raça negra. Estreiou como diretor no ótimo curta "Alma do Olho”, filme considerado subversivo pela censura na ditadura do governo Médici, em 74.

Participou de mais de 30 filmes. Além de um excelente ator, seguro nas suas interpretações, o que me chamava a atenção em Zózimo era sua elegância, de uma beleza ébano cativante.

Spike Lee o entrevistou ano passado para o documentário "Go Brazil, go!". Zózimo não verá o filme, que deve ser lançado em 2014. Partiu ontem para libertar outros quilombos, aos 75 anos.

maestro soberano

"Meu maestro soberano / foi Antonio Brasileiro...", canta Chico Buarque em "Paratodos", canção do disco homônimo de 1993. No ano seguinte Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso Tom, partiu para outras apresentações...

Hoje o maestro soberano faria 86 anos.

o cinema ao redor

Sexta-feira, abro o jornal com a programação dos lançamentos nos cinemas... e, com raríssimas exceções, não há nada que se destaque. As atenções das páginas estão direcionadas a "Lincoln", novo filme do eterno garoto prodígio de Hollywood, Steven Spielberg, a quem não tenho a mais remota devoção. Aliás, há muito tempo que perdi interesse pelo cinemão americano, com suas megaproduções vazias, dopantes, com total ausência dos conflitos humanos que deram lugar aos efeitos mirabolantes, e mais agora com suas técnicas digitais surpreendentes.

A cinebiografia do mais conhecido presidente que mudou a história dos Estados Unidos, já vem com o "aval" de 13 indicações para o Oscar. Indicações que já parecem premiações confirmadas naquela festa cafona e enfadonha madrugada a dentro.

Vou ver, sim, "Lincoln". Mas, antes, verei "O som ao redor", filme do pernambucano Helder Mendonça Filho, única produção que merece total consideração na programação em cartaz. O resto é mais do mesmo.

passeando por São Paulo

 "A eletricidade desta cidade / me dá vontade de dizer / que apaixonado eu sou..."

 São Paulo fez esta semana 459 aninhos. Meu abraço a essa cidade que me encanta.

tá entendendo?


O brasileiro aí no vídeo é conhecido como "Piauí", artesão que trabalha honestamente na av. Paulista. Um pensamento lúcido.
Tá entendendo?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

os amados

Os amados Caetano, Saramago e Jorge, em Salvador, 1996.

a mesma beleza

Essa linda senhora de 85 anos, afagada pelas mãos do ótimo ator Jean-Louis Trintignant em "Amour", novo filme de Michael Heneke, é a mesma grande atriz Emmanuele Riva, igualmente afagada pelas mãos carinhosas de Eiji Okada no clássico "Hiroshima, meu amor", de Alain Resnais, em 1959.

Belas na simetria do tempo que o cinema enterniza.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

sair do oceano

"Ah! no peixe de asas eu quero voar / sair do oceano de tez poluída / cantar um galope fechando a ferida / que só cicatriza na beira do mar / é na beira do mar..." 

Zé Ramalho, "Beira-mar", 1980

musiquinha de barzinho

Tem coisa mais chatinha do que barzinho com musiquinha ao vivo, aquele violão acústico estridente, e o cara lá cantando "você deságua em mim e eu oceano"?

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

imagens da revolução

Neste Dia do Fotógrafo, uma especial homenagem ao talento do espanhol Enrique Meneses, que parou de clicar domingo passado, aos 83 anos.

Meneses foi o fotógrafo que subiu a Sierra Maestra com Fidel Castro, Che Guevara, Raul e todos revolucionários, até a conquista em Havana, imortalizando a Revolução Cubana com suas imagens feitas durante quatro meses, entre 1957 e 1958.

Incansável, Enrique Meneses continuou registrando conflitos pelo mundo, como a Guerra da Bósnia.

a alma do tempo

Hoje, e todos os dias, Dia do Fotógrafo.

O meu clique para os amigos que sabem tão bem capturar a alma do tempo e das gentes: Mercedes Lorenzo, Galba Sandras, Marcos Vieira, Duarte Dias, Marcley de Aquino, Silas de |Paula, Nely Rosa, José Rosa Filho, Deborah Dornellas, Adriana Paiva, Nelson Bezerra, Maurício Albano, José Albano, Celso Oliveira, Jarbas Oliveira, Roberto Iuri, Joe Pimentel, Petrus Cariry, Alex Meira, Ivo Lopes, Adriana de Andrade, Valdo Siqueira, Kennedy Saldanha, Fábio Meireles, Jane Malaquias, Deise Jeffiny, Leo Mamede, e tantos outros.

Em especial ao meu tão meu Rubens Venancio, autor da foto acima.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

o ser humano ao extremo

Nos anos 30, durante a Grande Depressão norte-americana, grande parte da população estava desempregada, vivendo dias miseraveis. Nessa época apareceram os concursos de dança, que testavam ao extremo a resistência dos competidores em troca de comida, roupas e alguns trocados. Basicamente esse é o enredo do filme "Noite dos desesperados", baseado no livro de Horace McCoy, "They shoot horses, don't they?", em tradução livre, algo como "Mas não se matam cavalos?". Assistindo ao filme, entende-se o título, que o diretor Sydney Pollack manteve na adaptação para o cinema. O título no Brasil traduz também o horror que o ser humano é capaz de suportar para sobreviver a qualquer custo.

Produzido em 1969, o filme foi indicado para várias categorias ao Oscar, mas recebeu apenas a estatueta de atriz-coadjuvante. Jane Fonda, numa atuação extremamente marcante, foi indicada para melhor atriz, mas ganhou o prêmio dois anos depois, noutra grande interpretação em "Klute", de Alan J. Pakula.

"Noite dos desesperados" não foi lançado de imediato no Brasil, e lembro-me que, adolescente, ao sair da sessão à noite no Cine São Luiz, em Fortaleza, voltei para casa impactado com o filme. Coisa rara, raríssima, quando vejo um filme americano nos dias de hoje.

Muito bom quando o cinema americano fazia Cinema.

Cassavetes

Marco do cinema independente norte-americano, o cineasta John Cassavetes (1929-1989) produziu filmes que expressam o lado mais profundo das relações humanas.

Muito bom o tempo que o cinema americano fazia Cinema.

à procura do estranho

Edward G. Robinson, Loretta Young e Orson Welles, numa cena de "O estranho" (The stranger), dirigido pelo cidadão Welles.
Rodado em 1946, ainda nos escombros da Segunda Guerra, é um ótimo drama e suspense com estética noir, sobre um fugitivo nazista nos Estados Unidos. Um dos poucos filmes conhecidos de Orson Welles, mas que na época do lançamento foi o que deu mais bilheteria.

Muito bom quando o cinema americano fazia Cinema.

domingo, 6 de janeiro de 2013

guru da Tropicália

"As minhas divergências com todos os meus amigos são as mesmas que existem entre todos os indivíduos que realmente são indivíduos. Isso nada tem a ver com desavença, que é algo muito apetitoso para pessoas mal-intencionadas."

Rogério Duarte, 73 anos, hoje na ótima matéria de capa do Caderno Diversão&Arte do Correio Braziliense.

Duarte, artista gráfico, músico, compositor, poeta, tradutor e professor, já multimídia nos anos 60, mais do que um dos mentores intelectuais da Tropicália, foi um guru do movimento. Aliás, continua sendo. Tanto que a bela canção de sua autoria, "Gayana", que Caetano Veloso canta em seu novo disco, "Abraçaço", traduz bem esse gesto de reverência.

A foto que contorna muito bem o espírito místico do artista, é de Bruno Torturra, feita em 2004, durante o Festival Encontro da Nova Consciência, Campina Grande, Paraíba.

6 de janeiro

"Eles chegam tocando sanfona e violão, os pandeiros de fita carregam sempre na mão... 


Hoje é o dia de Santo Reis, anda meio esquecido, mas é o dia da festa de Santo Reis."

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Henfil

Há 25 anos o bom humor perdia seu melhor traço: Henfil. O humor que foi tão inteligentemente usado como resistência e denúncia contra a famigerada ditadura militar no Brasil. O cartunista, quadrinista, jornalista e escritor Henfil lançou em 1972, em pleno governo obscurantista Médici, a revista Fradim, onde nasciam seus personagens mais conhecidos e combatentes, Graúna, Comprido, Baixim, Bode Orelana, Zeferino, Ubaldo...

be all right

"My feet is my only carriage, so I've got to push on through. But while I'm gone, I mean: everythings gonna be all right!"