quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Santa Amada da Purificação

Dona Canô, a senhora foi canonizada pelo povo brasileiro.
Padroeira de todos os seres de boa vontade.
Devoto que sou, a benção.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Lêdo Ivo

Aqui do interior de Minas, leio notícia sobre a morte do grande Lêdo Ivo. Ouso um trocadilho, quisera que fosse um ledo engano.

De tudo que li de sua vasta bibliografia - poesia, contos, romances, ensaios - o que mais gosto, e sempre me pego relendo trechos que sublinhei, é a autobiografia "Confissões de um poeta", publicada em 1979.
Como bem disse meu amigo Duarte Dias, ele foi reintegrado ao cosmos.

E do sertão verde roseano onde piso, segue esta foto com ramos tão sertão Graciliano, seu conterrâneo das Alagoas, caro Lêdo Ivo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Keith rock and roll

A figura emblemática do estilo musical surgido nos EUA no final dos anos 40, de uma lista bastante seletiva, é o baixista Keith Richards, pela musicalidade, comportamento e todos os etc e tais...

Keith é a alma do Rollings Stones. Keith é alma do próprio rock and roll, como diz meu amigo Ricardo Augusto. 

Hoje ele completa 69 anos de pedras rolando.

domingo, 16 de dezembro de 2012

adeus às armas

Nancy Lanza, mãe de Adam, 20 anos, autor do massacre nos Estados Unidos, era uma entusiasta colecionadora de armas, que costumava levar os filhos para praticar tiro ao alvo. As duas pistolas e o fuzil usados no ataque de antes de ontem foram comprados e estavam registrados legalmente em nome da mãe.

Os Estados Unidos da América é uma nação bélica. Culturalmente bélica. A adoração às armas do povo americano pode não eleger um presidente, se na campanha ousar defender alguma lei restrigindo a venda de armas.

Desde o Velho Oeste o poder está no coldre. Um país que atira primeiro e pergunta depois - quando pergunta.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

cineminha cosmético

"Vivemos um processo viciado de comissões e incentivos, no qual há preferência para projetos mauricinhos, que não vão dar problema para ninguém, não vão mexer com nada, vão deixar tudo no lugar. Estamos com um cinema sem responsabilidade. Existe um sistema injusto de distribuição do dinheiro de produção."

Cineasta Neville D'Almeida.

Tem muita claquete cabendo nessa carapuça.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

a luz dos olhos teus

Hoje é dia de Santa Luzia. A imagem dessa Santa é uma das mais fortes lembranças da minha infância, em Crateús, interior do Ceará, onde nasci e fui criado.

Minha tia era devota e na parede do quarto onde eu dormia, e
ra a primeira imagem que via ao acordar: batia um facho de luz que vinha de alguma telha quebrada. Nada mais sintomático: a jovem santa siciliana é protetora dos olhos, da visão, da luz.

A minha impressão era que a Santa me abençoava a manhã, com a oferenda do par de olhos na bandeja.

Casa desfeita, parentes idos, herdei esse quadro e a saudade. Coloquei-o na cenografia dos meus dois primeiros curtas-metragens. Afinal, cinema precisa de luz.

Seu Luiz é pop

Hoje Luiz Gonzaga faria 100 anos. Livros, filme, shows, exposições, reverenciam o rei do baião desde o começo o ano. Os cadernos cês dos jornais tecem homenagens, chamando-o de “pop”. Pop de popular, ou seja lá o que isso signifique. Essas homenagens pra mim soam como uma galanteria tardia por alguns setores da mídia. Mas "antes arte do que tarde", como diz o artista plástico, cantor e escritor Bené Fonteles, autor do ótimo livro "O Rei e o Baião", a mais completa pesquisa sobre a vida e a obra de Gonzagão, analisadas a partir de várias abordagens, com centenas de fotografias inéditas e belas xilogravuras. O trabalho de quase 400 páginas foi lançado em 2010.

O velho Lua sempre foi um dos meus ídolos. Não cresci ouvindo João Gilberto, Chet Baker e Leonard Cohen, músicos que admiro e escuto sempre. Cresci ouvindo Gonzagão, Roberto Carlos, Reginaldo Rossi... e até mesmo antes dos Beatles, as versões enviesadas de Renato e Seus Blues Caps. Eu fui Jovem Guarda: Tropicália depois. Eu ouvia Cego Aderaldo: Robert Johnson, Muddy Waters, John Lee Hooker tiveram que esperar a safona terminar o ronco no meu sertão.

Luiz "Lua" Gonzaga sempre foi ídolo a altura de todos outros que hoje são cults. A primeira vez que assisti a um show do Gonzagão em Fortaleza, me emocionei tanto quanto ao ver e ouvir B. B. King pela primeira vez, aqui em Brasília, há dois anos. Entre o Rio São Francisco e o Rio Mississipi a distância é a mesma em que navega meu coração.

A benção, seu Luiz!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

respirando poesia

No final do livro "Música", do excelente poeta maranhense Celso Borges, um texto a pretexto de um posfácio biográfico diz que "ele sabe que se não escrever, morre".

Ontem o poeta esteve falando, cantando, respirando seus poemas na Livraria
Sebinho, Brasília, no projeto "Da palavra ao verso", mediado pelo meu amigo, o ator Adeilton Lima. Talento, simpatia, e, sobretudo, simplicidade, envolviam como uma aura aquele moço cinquentão diante das pessoas magnetizadas por seus versos. É disso que sobrevive a alma do poeta: de escrever e do ato que se completa do outro lado em ser lido e ouvido. Se não, morremos. Sucubimos sem mais e com muito menos. Como poeta, sei disso. Respirei um pouco-muito do oxigênio de Celso na sua apresentação, ao ouvir sua poesia, ao me alimentar de seus versos, ao receber sua dedicatória no livro. Há beleza, sim, ao redor do nosso dia a dia. Mas a tristeza é senhora desde que o samba é samba. Por isso, Celso, cantando sua música eu mando essa tristeza embora. Abraçaço!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

a mesma beleza

Essa linda senhora de 85 anos, afagada pelas mãos do ótimo ator Jean-Louis Trintignant em "Amour", novo filme de Michael Heneke, é a mesma grande atriz Emmanuele Riva, igualmente afagada pelas mãos carinhosas de Eiji Okada no clássico "Hiroshima, meu amor", de Alain Resnais, em 1959.

Belas na simetria do tempo que o cinema enterniza.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

pisa devagar

Chico Anysio, Millor Fernandes, Altamiro Carrilho, Autran Dourado, Celso Blues Boy, Alcione Araújo, Regina Dourado, Eric Hobsbawn, Décio Pignatari, Perinho Santana, Dave Brubeck, Jota Pingo, Chris Rodrigues, Oscar Niemeyer...

Pisa devagar, Indesejada Das Gentes, devagar.

a nave de Niemeyer

Museu Nacional de Brasília, um dos mais belos voos de Niemeyer.

Brasília de Niemeyer

Meu querido Niemeyer, Brasília foi feita para impressionar os arqueólogos do futuro.

cosmovisão

"Cidade-avião, vôo rasante, aeroplana no altiplano do chão / cidade planeta, um desaguar de viajantes / espaço, porto, cosmovisão"

Ednardo, "Serenata para Brazilha", traduzindo o voo do arquiteto Niemeyer.
"Agora conheço / sua geografia / a pele macia / menina morena / teu sexo, teu lago / tua simetria / até qualquer dia / te amo, Brasília..."
                                                                                       Alceu Valença, "Te amo, Brasília"

o escritor Niemeyer

"Mamãe, estou muito triste... porque morreu o escritor Oscar Niemeyer... ele escrevia muito bonito casas, prédios, praças..."

Gabriela, uma garotinha de cinco anos. Ela conheceu a obra de Niemeyer na escola. E como acertou ao confundir a profissão do nosso arquiteto maior: seu traço era mesmo literatura.

para sempre


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

"Mas da próxima vez que eu for a Brasília / eu trago uma flor do cerrado pra você..." 

 Caetano Veloso, "Flor do Cerrado"

traço do arquiteto

"Esse imenso, desmedido amor
vai além de seja o que for
vai além de onde eu vou
do que sou, minha dor
minha linha do equador
esse imenso, desmedido amor
vai além de seja o que for
passa mais além do
céu de Brasília
traço do arquiteto"

Djavan, "Linha do Equador"

último traço

Partiu Oscar Niemeyer, aos 104 anos.

velórock

Antes de ontem fui ao velório de Jota Pingo, no Espaço Cultural 508 Sul, aqui em Brasília. Não, não parecia um velório. Já estava sendo anunciado como velórock, algo assim. Amigos, malucos belezas, bebidas, caldo de gengibre, poemas declamados... Um happening... tanto que ao chegar nem percebi o caixão com o corpo no meio do salão... Todos conversavam como se o amigo morto estivesse ali fingindo-se, com o pulso ainda pulsando, com sua bela loucura, seu delírio tão necessário pra espantar a caretice deste mundo.

É uma cerimônia diferente para nós acostumados ao longo dos séculos com o ritual doloroso da despedida. Eu, que sou nordestino, por lá a dramaturgia funébre é mais heavy, pesada mesmo, ou foi, já não é tanto. Cresci vendo as mais trágicas liturgias dos parentes diante do caixão de seus entes. As crianças eram obrigadas a beijar a testa fria do falecido, os adultos se jogavam por cima ataúde, bradando "por que? por que? por que?".
 
Ao sair do adeus ao Jota Pingo, saí sem sentir que saí de um velório. Como ele queria.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Pingo

Tive poucos contatos com o ator, dramaturgo, agitador cultural e da vida Jota Pingo, que eu nem sabia que se chamava Carlos Augusto de Campos Velho. Eu o admirava de longe. E de perto, já que aqui em Brasília as relações com as pessoas têm essa geografia e simetria entre o abraço e o aceno. Quando vim morar em Brasília, a primeira informação sobre Pingo foi que ele era irmão de Paulo César Pereiro. Mas o cara era tão original, tão único na sua postura irreverente, que essa ligação consanguínea era um detalhe que não se destacava. Eu que passei a dizer que Pereio é que é irmão dele. Tempos depois, Jota Pingo se tornou sogro de minha amiga, a atriz e educadora Antonia Artheme.


Leio no jornal de sua partida pra outros agitos. A última vez que nos vimos, assim tão-longe-tão-perto, foi na 1ª Bienal do Livro, que aconteceu aqui em abril deste ano. Estávamos na fila comprando pipoca e pedi a minha sem sal. Pingo, do meu lado, comentou "tá certo, camarada. Temos que cuidar do coração. A minha também sem sal". E saímos os dois caminhando entre livros, com a pressão alta sob controle.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Décio

Não creio em coincidências... o universo faz suas armações, suas sintonias, suas trilhas... e não à toa estava ouvindo agora a faixa "Estou triste", do novo disco do Caetano Veloso, "Abraçaço", e leio a notícia da morte do poeta Décio Pignatari na manhã deste domingo... e não à toa estava eu conversando ontem com meu amigo Paulo Kauim, que gosta tanto Décio... e não à toa estive antes de ontem com meu amigo Adeilton Lima, que também gosta do Décio e por quem eu soube da perda no seu mural no Facebook.