domingo, 30 de setembro de 2012

selinho pra ela

Nunca fui admirador da Hebe Camargo, a morte dela não me tocou como artista, mas tenho profundo respeito pela pessoa que foi, lá no trabalho dela.
Mas acho uma grande sacanagem as piadinhas de mau gosto que li nas redes sociais. Coisas idiotas. Gracinhas preconceituosas, burras.
 
Viva Hebe! Abaixo esses idiotas de almas sebosas.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

celebrando com Criolo

Show do Criolo hoje às 21h na área externa do Museu da República. A apresentação do ótimo rapper paulista faz parte do projeto Celebrar Brasília 2012, que segue até amanhã e reune uma série de shows, discotagem, apresentações de dança, gente boa como Marcelo Jeneci, InNatura, DJ Patife...

Mas Criolo é o cara! Vamos lá,Cris, Kauim, Adeilton, Adriane...

Evoé, jovem artista!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

você me sintoniza

 
 
É impressionante como o rádio resiste nestes tempos virtuais, invadindo os recursos de novas mídias, e através dos labirintos hightech interative, chegando ao "pé do ouvido" de todos.

Quando visito alguma cidade que não conheço, a primeira coisa que faço é escutar as estações locais, e de preferência começando pelas AMs, onde o sotaque é mais puro e o perfil é sem maquiagem. Ainda.

Todos os dias escuto rádio. Mas hoje é o Dia do Rádio.

eles ganham!

E o júri do 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro reconheceu a qualidade do filme "Eles voltam", de Marcelo Lordello, premiado em quatro categorias, melhor filme, melhor atriz (Maria Luíza Tavares), melhor coadjuvante (Elayne Moura) e Prêmio da Crítica. A produção pernambucana realizada com inacreditáveis R$ 60 mil, era, sem dúvidas, a melhor dos concorrentes dessa que foi uma das mais fracas edições da história do Festival. Discordo da decisão do juri em dividir o Candango principal com "Era uma vez eu, Verônica", de Marcelo Gomes. Esperava mais de um diretor que fez "Cinema, aspirinas e urubus". 
E premiar o frustrante "Vestido de Laerte" como melhor curta, não dá! O restante da premiação, pior. Principalmente na categoria documentário. Deixar de fora, sem nada, o ótimo "Kátia", de Karla Holanda, foi a maior burrada desse Festival.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

em gênero, número e grau

"Achei meio retrógrada essa coisa de diferenciar. Já tentei compreender a intenção do festival, que é dar mais um panorama dos formatos, mas acho que em termos de linguagem e gênero passou há muito tempo. Os filmes têm que ser considerados enquanto cinema, propostas audiovisuais e narrativas. É antiquado pensar em gênero."

Marcelo Lordello, sobre a "inovação" do Festival de Brasília deste ano, dividindo as categorias documentário e ficção na competição.

Marcello é diretor do ótimo "Eles voltam", o meu preferido, o melhor longa de ficção numa das mais fracas edições da história do Festival. Em tudo.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

eles voltam



Cris, 12 anos, e seu irmão mais velho são deixados na beira da estrada por seus pais. Em pouco tempo percebem que o castigo vem a se tornar um desafio ainda maior. O irmão também a abandona. Esse é o mote do filme pernambucano Eles voltam”, de Marcelo Lordello, exibido na primeira noite da Mostra Competitiva de Longa Ficção no 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Simples assim, diria-se sobre o argumento.

Todos os temas, todas as histórias e todas as lendas universais: em torno delas e no olho do redemoinho está o homem e suas inquietações, seus conflitos, seu espanto, suas alegrias e tristezas, e sua esperança. Contam-se os limites da aldeia para falar do universo, lembrando a máxima de Tolstoi. E o que conta é como contar. Do banal é bem possível se dissecar reflexões se se conta de uma ótica que comumente é vista de forma irrelevante. A ousadia é a percepção e coragem de dizer sim. É risco.

O filme “Eles voltam” acompanha a garota em sua jornada de retorno ao lar. Entre o abandono e o reencontro, não se sabe o motivo, o que aconteceu. Depois se revela. Antes a garota precisa saber de umas coisas. Menina mimada e branquinha, não sabe o caminho de encontros nesse “road movie” pedestre, nem desconfia o que há na imensidão da estrada que só conhecia da janela do carro. Lá fora as realidades são distintas, e agora serão seus guias. Uma fábula que lembra o percurso de Dorothy em “O mágico de Oz”. Mas sem arco-iris. A vida não é filme, você não sabia, Cris, e as cores têm tons realistas que pintam outras vivências. O choque de classes sociais pega a garota de leve, aos poucos, mas pega, não poupa.

O grande barato do filme é justamente como essa história é contada. O diretor usa sua câmera quase que invisivelmente, como um observador que espera que seus personagens sejam atingidos, sem perturbá-los, sem interferir em nada, sem ajudá-los. Marcelo Lordello solta “cruelmente” aquela garota no deserto que reflete uma realidade do país que se contradiz com tanto discurso idiota de progresso. O país pulsa na poeira e nas falas de quem ali habita. É num acampamento do MST que a menina chega de encontro ao país em mora e que desconhecia sua geografia e sua gente. O cineasta coloca essa conjuntura de duas realidades sem discursos inflamados, mas com uma sutileza implacável. A câmera fixa ou na mão demora-se em longos planos não por descuido ou desconhecimento de linguagem, mas justamente por discernimento do olhar. É dessa forma que o espectador entra na história, contorna o enquadramento, e percebe o movimento e alma dos personagens. Um longo plano tem inevitalmente essa provocação. Ou entra-se no filme ou se retira da sala. Não tem meio-termo. Alguém na saída do cinema, que não gostou do filme, classificou como um Antonioni tardio. Bem lembrado o cineasta italiano. Mas não tardio. Nenhuma arte é datada, e inconscientemente absorvemos tudo que ela representa para fazer tudo que nos espelhe, direcione e reinvente. Há pontuações que se possa usar como analogias, mas “Eles voltam” está longe de um “Desprezo”, “A noite”, “O eclipse” e outros clássicos de Antonioni. O filme tem sua identidade. Lembrou-me os ótimos filmes da nova geração de cineastas asiáticos. Não tem o apuro de decupagem dos filmes de Petrus Cariry, por exemplo, mas tem uma competente captação de imagem no desenho de câmera, nos silêncios, na escassez de diálogos, na naturalidade dos não-atores contracenando com quem sabe das marcações de cena, nos links que se situam em algum canto do enquadramento. Em um bom filme, nenhum detalhe está ali à toa. Dispensa-se gruas mirabolantes, corrida com steadycam, efeitos digitais e atores famosos. O encontro de "Eles voltam" é com o Cinema.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Festival de Brasília, literalmente


45° Festival de Brasília do Cinema Brasília. Começa hoje.

Em cartaz filmes inéditos, longas de ficção concorrendo separados de documentários, mudança do tradicional Cine Brasília, em reforma, para a Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional,
mudança de data, sai do horário de verão entra na baixa umidade de setembro, dois longas e quatro curtas por noite entrando pela madrugada, equipe enormes de curtas no palco, diretor que não veio e é representado pela montadora, discursos e agradecimentos intermináveis no palco, discursos rapidinhos "espero-que-gostem-do-filme", reclamações, polêmicas, aplausos, vaias, atores de filmes que estão em novelas e os holofotes das tvs correndo atrás junto com os caçadores de autógrafos com seus iphones pra pegar uma foto, plateia de todos as tribos, das roupinhas de grifes às tatuagens descoladas, muvucas laterais nas barraquinhas high tech com cervejas long ness e sanduiches com preços abusivos, pegações, reencontros, ficantes, gente linda, gente chata, desesperados atrás de convites pra festas com djs da hora, entra-e-sai no hall do hotel, convidados exibindo credencial como se fosse medalha, convidado reclamando que não recebeu credencial, salão do café da manhã lotado com cineastas consagrados e curtas-metragistas desconhecidos estreiando o seu décimo filme digital, oficinas com quem sabe ministrar oficinas, workshop que é a mesma coisa de oficina ministrado por quem não sabe nem de uma coisa nem de outra, perfomances sem-ver-nem-pra-quê, debates que começam atrasados porque os participantes ainda estão no café, homenageados sem nenhum motivo, homenageados tardiamente, premiações injustas, premiações certíssimas...

O Festival de Brasília é histórico e histérico.

sábado, 15 de setembro de 2012

match point

Li uma vez uma entrevista com Woody Allen em que dizia que para "esquecer" o medo que tem da morte, ele trabalha, trabalha, trabalha. Não deixa tempo para pensar em outra coisa. Acredita o cineasta que a mente ocupada com uma responsabilidade, uma tarefa, consegue não lembrar que pode morrer a qualquer momento. Não é à toa que o novaiorquino Allen faz um filme seguido de outro. Acredito que quando acaba de montar um, já está envolvido em novo projeto. Sabe-se que no orçamento de seus filmes está incluído o mesmo valor de produção para realizar o mesmo filme outra vez (logo!), se o que acabou de rodar não lhe agradar em nada. Se isso é verdade ou não, pelo menos faz parte da logística para driblar sua necrofobia.

Woody está prenhe de razão. A "indesejada das gentes", como diria Bandeira, é inevitável, infalível, pontual, certeira. Ela vem. Ficar "sentado no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes esperando a morte chegar", como recusou Raulzito, é desperdício de tempo presente e não vai adiar a dita cuja. Ela vem. A vida deve ser isso mesmo, esse intervalo entre os dois partos.

Já há um bom tempo, bem antes da entrevista do Woody Allen, essas inquietações me trouxeram o poema "Armadura", que está no livro "Poesia provisória", que trabalho trabalho trabalho para lançar em breve.
 

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Amy, 29

Amy.
Um dos meus anjos tortos favoritos.
Hoje ela faria 29 anos.
Kiss me here, baby, and go rest.

my funny Baker

Uma foto pouco divulgada no grande trompetista e cantor de jazz Chet Baker, um dos meus anjos tortos favoritos. Nesta sexta amanheço ouvindo Baker no ar... "The thrill is gone"... "Look for the silver lining"... sua voz íntima em "My funny Valentine". Um artista que eu queria muito ter visto e ouvido de perto. Lembro-me quando ele esteve no Brasil em 1985 para apresentações no Free Jazz Festival e minha frustração de não poder ir. Naquele ano Baker tinha na banda dois músicos brasileiros, o baixista Sizão Machado e o pianista Rique Pantoja, com quem gravou o ótimo disco "Chet Baker & The Boto Brasilian Quartet", no começo dos anos 80 e depois gravaram juntos "Chet Baker & Rique Pantoja", igualmente ótimo.

A passagem de Chet Baker pelo Brasil só é lembrada pelo problema que ele teve com drogas no Hotel Maksound Plaza. A imprensa noticiou o show como decepcionante, frustrante. Conheço pessoas, amantes insuspeitos do jazz, que viram o show e têm outra opinião: um momento inesquecível, impecável.

A foto é de Pieter Boersma, 1975, e está no livro "No fundo de um sonho - A longa noite de Chet Baker", biografia definitiva escrita por James Gavin, 2002.