quarta-feira, 25 de julho de 2012

dia de tudo

 foto Mila Petrelle 
Hoje, 25 de julho, diz uma folhinha que é o Dia do Escritor. Para mim, todos os dias são dias de todos e de tudo. Hoje, por exemplo, é aniversário do meu cunhado, que não é escritor. E eu tenho essa mania de escrever, mas hoje não é meu aniversário.

Um dia comemorativo é bom para lembrar que todos os dias são comemorativos, pelo trabalho, pelo ofício, pelo sacrifício, pelo desejo, pelo prazer, pelo apego, pela ausência, pelo esperança, pela saudade.

E pra não dizer que não falei de versos, deixo aqui a todos nós que nos debulhamos em bem e mal traçadas linhas, meu mais completo poema inacabado:

PRAZO
 
Impossível
terminar o poema nos próximos dias:
falta uma vírgula aqui
aguarda um sentimento ali,
avista-se uma cidade acolá.

E essas correções, dores e risos

costumam demorar
uma vida inteira...


(do livro Poesia Provisória)

domingo, 22 de julho de 2012

tv lesão

Lendo por aqui uns comentários sobre uma tal "Avenida Brasil"... fico perdido, tentando entender o que se passa... que diabo de realidade é essa que tanto discutem?!

A última novela de que tenho vagas lembranças é "Roque Santeiro", que já era uma bobagem. Jornal Nacional lembro que era com o Cid Moreira ou Chapelin, sei lá! Tanto faz. A última vez a que assisti Fantástico (ainda é "o show da vida"?) foi pra ver um clipe do Raul Seixas com "Sessão das oito", quando ele lançou o vinil "Gita". 1974, 1975, acho. Meu Deus, o que fiz comigo que perdi o "bonde da história"!!! Ou não?

Para não pirar, quero crer que estou totalmente desintoxicado dessas drogas pesadas. Não tenho a menor ideia do que se passa na televisão. Vivo totalmente "alienado". Não sei se ainda tenho jeito, se tenho salvação, se sobrevivo quando "cair na real": meu aparelho de tv é um mero objeto pra reproduzir filmes em dvd.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

después...

Ainda em transe "después" da peça...

A montagem da diretora argentina Lola Arias é um viés diferente do que se vê em teatro. Em "Mi vida después", apresentada ontem no Teatro Plínio Marcos - Funarte, dentro da programação do Cena Contemporânea, o real se funde com o real, o poético se reconstrói na prosa das lembranças. Pra sacação de pegar seis atores nascidos na década de 70, todos filhos de ex-combatentes da ditadura militar argentina e até de informantes do regime, é preciso muita destreza em cascavilhar a juventude dessa memória. E a diretora tem sensibilidade pra isso. 

Fotos, objetos, fitas cassetes, roupas, cartas, papéis... tudo é tirado e revirado da história de cada um, que é a história de muitos, que é a dor de um país. A vida depois se cruza no palco sem limite de realidade e ficção. A montagem é dinâmica, fundem-se o proposto e o improviso, sem perder o tempo para percepção, para reflexão. A narrativa é espirituosa para que se possa através da leveza entender o que se passou e pesou. 

Em "Mi vida después" não há personagens: há pessoas.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

começando pela última


A produção brasiliense "A última estação", de Márcio Curi, abrirá como convidada o 45º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que acontecerá de 17 a 24 de setembro próximo.

A coordenação do evento anunciou hoje pela manhã os filmes selecionados que concorrerão ao trofeu Candango. E a uma boa grana.
A quem interessar possa, a lista aqui.

Estou curioso pra assistir ao longa do Márcio. Todo filmado em digital, fala sobre a imigração libanesa no Brasil, dos anos 50 até 2000.

Para quem inscreveu ou tem amigos que não passaram com seus filmes pelo crivo da pré-seleção, se avexe não. Festival tem disso. Próximo!

a Carmen de Antunes

O sempre inventivo diretor teatral Antunes Filho pega Carmen Miranda e a coloca no palco pra dançar com seus banlangadãs no ritmo inspirado no universo Budô japonês. E dá certo.

A peça "Foi Carmen", que abriu ontem o Ce
na Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília, na Sala Martins Penna, é um exemplo de ousadia e criatividade. Antunes mescla duas culturas completamente opostas que convergem num mesmo espaço, numa mesma gramática de teatro-dança, de gestualidades que refletem e descontroem. Ao mesmo tempo que homenageia a figura mítica de Carmen Miranda, referencia o mestre coreógrafo Kazuo Ohno, que junto com Tatsumi Hijikata, revolucionou a dança que surgiu no Japão pós-guerra.

Na peça de Antunes, nossa Carmen Miranda não é biografada no palco: ela é grafada em cena com o minimalismo do imaginário dos personagens, uma menina que sonha ser artista, um malandro fanático, uma passista... e a plateia.

terça-feira, 17 de julho de 2012

o teatro em cena

Começa hoje o Cena Contemporânea 2012 - Festival Internacional de Teatro de Brasília.
A programação de enlouquecer de tantas opções.

Na foto o dançarino Koffi Kôkô, no espetáculo "La Beauté du Diable", que vem de Benim, comuna francesa na região administrativa de Ródano-Alpes.

E corre paralelo na programação da cidade, o Festival Internacional de Cinema de Brasília, a Mostra Ingmar Bergman no CCBB...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

sambista de valor

"Não tenho veia poética, mas canto com muita tática, não faço questão de métrica, mas não dispenso a gramática"

Alvaiade, batizado Osvaldo dos Santos, foi um dos maiores compositores brasileiros. E ilustre desconhecido. Com muita veia poética, sim! Carioca da gema, sambista de primeira ligado a Portela, tocava vários instrumentos, principalmente percursão. Aprendeu tocar cavaquinho de ouvido. Segurava a onda da sobrevivência com um salário de tipógrafo. E como bem cantou Paulinho da Viola em "14 anos", "sambista não tem valor nesta terra de doutor", Alvaiade quando faleceu em 1981, aos 68 anos, com uma aposentadoria mixuruca, seu corpo permaneceu dois dias no IML antes de ser reconhecido.

Na minha pesquisa para o livro "Os mais belos versos da música brasileira", encontrei uma riqueza de composições. "O que vier eu traço", que ele compôs em 1926 em parceria com outro desconhecido de todos nós, Zé Maria, talvez seja a mais conhecida, pela interpretação simpática de chorinho com "beat acelerado" da saudosa Ademilde Fonseca.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Keith rock and roll

Em 13 de julho de 1985, Bob Geldof, ex-vocalista da banda Boomtown Rats, organizou o show Live Aid, que ocorria simultaneamente em Londres e Filadélfia, reunindo vários nomes famosos não somente do rock, como Led Zeppelin, The Who, Rolling Stones, Black Sabbath, também do blues, como B. B. King, e figuras emblemáticas da contestação política nos anos 60, como Joan Baez. O objetivo era chamar a atenção para a miséria no continente africano, a partir da Etiópia. Muita música, discursos engajados, pressão em cima dos governos ricos para perdoar dívida externa dos países pobres. Se a intenção deu resultados práticos ao longo desses anos, é discutível. Pelo menos por ocasião do show, e uma segunda edição em 2005, angariou fundos para a causa.

Desde então comemora-se neste cabalístico 13 o Dia Mundial do Rock. Gosto da postura de Geldof, diz o que pensa e bate de frente com poderosos. Mas minha homenagem hoje vai para meu roqueiro preferido, Keith Richards, o comportamento, a entrega, o conceito, os riffs, o junkie, a alma e essência do rock and roll. E do Rolling Stones. Mick Jagger é apenas o corpo.

terça-feira, 10 de julho de 2012

se todos fossem iguais a vocês

Drummond, Vinicius, Bandeira, Quintana e Paulo Mendes Campos, fotografados por Moacir Gomes, na casa de Rubem Braga, Rio de Janeiro, 1966. Eles foram lá para conversar com um hóspede igualmente ilustre, Pablo Neruda.

Olho imantado essa foto como se olha uma imagem sacra.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

as meninas de Dorothy

Uma cena de "Louca orgia" (The wild party), 1929, o primeiro filme falado com Clara Bow, a da esquerda, contracenando com Marceline Day. O interessante é a história do diretora, Dorothy Arzner, que foi muito ousada, avançada pra aqueles tempos. Adorava uma sacanagem em seus filmes, claro, dentro do que se podia fazer à época. Polêmica, a cineasta gostava de se vestir como homem, e num de seus filmes, "A vida é uma dance" (Dance, girl, dance), com Lucille Ball, na década de 40, abordava uma relação lésbica entre duas bailarinas. E foi nessa época que ela deu uma de Greta Garbo, sumiu, ninguém sabe, ninguém viu, parou de fazer cinema. Morreu nos anos 70.

(A foto foi enviada pelo amigo, o cartunista João Alberto Lupin, para o meu mural no Facebook)

meu tio Ernesto

Foto: MEU TIO ERNESTO
O pombo-correio da internet me traz neste final de domingo a notícia da morte do ator americano Ernest Bognine. Um dos meus  preferidos. Ator -  uma espécie em extinção do atual fraquíssimo cinema americano.

Louco por cinema, devo ter visto tudo de Ernest Bognine. Ele fez mais de 100 filmes... não, não devo ter visto tudo tudo. Ou vi, sei lá. Mas o que vi, foi o suficiente pra sentir saudade dele hoje. O cinema tem disso em nossa memória afetiva. Admirava esse cara até quando fazia o "bandido", o "malvado", da história, como o sargento filho-da-mãe em "A um passo da eternidade".  Quando criança, queria que ele fosse meu tio. Adulto, queria tê-lo no meu filme. Quem dera! 

Achava ótimo esse sorriso sacana dele, de dentes separados, como na foto aí, cena do filme "O imperador do Norte" (Emperor of the North Pole), que Robert Aldrich rodou no começo dos anos 70. Meu "tio" Bognine faz um sádico guarda ferroviário responsável por impedir que pessoas viajassem nos trens sem pagar a passagem. Mas eu gostava dele mesmo assim. Ninguém é perfeito. Lee Marvin aí na cena, outro grande ator quando o cinema americano prestava, sofria nas mãos de Bognine. O filme é um dos melhores sobre a Grande Depressão americana nos anos 30. 

Copio-colo uma de suas últimas declarações: "consigam um trabalho de verdade antes de tentar seguir uma carreira de ator. Aprendam sobre a vida e depois aprendam sobre seu ofício. E não usem óculos escuros na tela para parecerem legais. Os olhos são o melhor recurso de um ator".

Aprendam, Matt Damon, DiCaprio...
O pombo-correio da internet me traz neste final de domingo a notícia da morte do ator Ernest Borgnine. Um dos meus preferidos. Ator - uma espécie em extinção do atual fraquíssimo cinema americano.

Louco por cinema, devo ter visto tudo de Ernest Borgnine. Ele fez mais de 100 filmes... não, não devo ter visto tudo tudo. Ou vi, sei lá. Mas o que vi, foi o suficiente pra sentir saudade dele hoje. O cinema tem disso em nossa memória afetiva. Admirava esse cara até quando fazia o "bandido", o "malvado", da história, como o sargento filho-da-mãe em "A um passo da eternidade". Quando criança, queria que ele fosse meu tio. Adulto, queria tê-lo no meu filme. Quem dera!

Achava ótimo esse sorriso sacana dele, de dentes separados, como na foto aí, cena do filme "O imperador do Norte" (Emperor of the North Pole), que Robert Aldrich rodou no começo dos anos 70. Meu "tio" Bognine faz um sádico guarda ferroviário responsável por impedir que pessoas viajassem nos trens sem pagar a passagem. Mas eu gostava dele mesmo assim. Ninguém é perfeito. Lee Marvin aí na cena, outro grande ator quando o cinema americano prestava, sofria nas mãos de Bognine. O filme é um dos melhores sobre a Grande Depressão americana nos anos 30.

Copio-colo uma de suas últimas declarações: "consigam um trabalho de verdade antes de tentar seguir uma carreira de ator. Aprendam sobre a vida e depois aprendam sobre seu ofício. E não usem óculos escuros na tela para parecerem legais. Os olhos são o melhor recurso de um ator".

Aprendam, Matt Damon, DiCaprio...

domingo, 8 de julho de 2012

a benção, seu Lua!

O ótimo grupo carioca Casuarina fez uma bela homenagem ao mestre Luiz Gonzaga no show ontem no CCBB Brasília, dando um sotaque de samba ao baião do velho Lua, com o auxílio luxuoso da sanfona do gaúcho Bebe Kramer.

E foi com a entrada do c antor e compositor pernambucano Otto que o palco iluminou mais ainda: carismático, desengonçado como um caranguejo saindo do mangue beat, o ex-percussionista da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A, demonstrou sua reverência de devoto ao xote, maracatu e baião, tudo isso trazendo no seu matolão de influências dos ritmos brasileiros e seus nomes sagrados.

O projeto "Gonzagão 100 anos", que já trouxe Moraes Moreira, Carlos Malta, Pife Muderno, Chico César, Marcelo Caldi e Quinteto da Paraíba, termina no próximo fim de semana com a apresentação de Daniel Gonzaga, filho de Gonzaguinha, representante maior da linhagem asa-branca-assum-preto.

Lou

Para o amigo Rubens Guilherme Pesenti, que é a cara do Lou Reed, já tá pra lá de Lou Reed, escreve tão bem quanto Lou Reed.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

gracias a la Violeta

Violeta Parra, uma bela e forte mulher.
A autêntica compositora e cantora é tema do filme "Violeta foi para o céu", numa interpretação irretocável de Francisca Gavilán, sob direção de Andrés Wood, que 2004 lançou o ótimo "Machuca".

Violeta soube como poucos usar o lirismo de suas canções, mas de versos implacáveis, contra a injustiça social.

O filme estreou hoje, desviando-se do homem-aranha "reloaded". Até no cinema Violeta continua lutando contra as teias do Império que sempre contra-ataca com idiotices.

elas por elas

A cantora americana Patti Smith fotografada por Annie Leibovitz. Duas belas e fortes mulheres.
Ouvindo "This is the girl", que Smith compôs para outra beleza rara, Amy Winehouse, em seu disco "Banga", lançado este mês.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

a morte joga xadrez

Essa é uma das imagens mais fortes, impactantes, (e belas!) da história do Cinema. É a clássica cena da personificação da Morte no filme "O sétimo selo" (Det sjunde inseglet), de Ingmar Bergman, rodado em 1957, ainda sob os escombros e os traumas da Segunda Guerra.

Não me lembro se foi o primeiro filme do diretor sueco a que assisti, mas foi o que mais me impressionou. E é o meu preferido, assim como foi do próprio cineasta dentre a sua vasta filmografia de tantas obras-primas.

Ambientado numa época remota da Idade Média, o filme trata do temor de que o mundo possa acabar de repente ou de que ele seja dizimado gradualmente por uma peste. A Morte, na interpretação marcante e assustadora do ator Bengt Ekerot, concretiza os aspectos da religiosidade questionada. Max Von Sydow vive um cavaleiro que, voltando da Cruzada da Fé, convida a Morte para uma partida de jogo de xadrez com o intuito de distraí-la para que os flagelados escapem e, com o tempo, vencê-la. É uma sacada inteligente de Bergman como alegoria da racionalidade para entender a vida. O cineasta não se apega propriamente a uma determinada religião, até mesmo apresenta a Igreja como uma instituição decadente, incapaz de impedir o mal e solidificar a fé.

A foto ilustra significativamente o cartaz da Mostra Ingmar Bergman, na programação do CCBB Brasília, iniciada em 19 do mês passado seguindo até dia 22 próximo. É a maior restrospectiva de Bergman no Brasil, com a exibição de 50 longas, curtas e documentários inéditos e filmes realizados para a televisão.

os dois no velho oeste

No Velho Oeste, minerador morre deixando mina de ouro para a filha. O Gordo e o Magro são incumbidos de entregar a escritura à moça, mas enfrentam percalços no caminho. Pronto, a confusão está preparada e a diversão garantida.