segunda-feira, 23 de abril de 2012

iluminado

Um banquinho, um violão, e a multidão.
Show de encerramento da 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, Palco da Esplanada, 22 de abril, festa de aniversário de Brasília.
O ponto iluminado no palco é Caetano Veloso, que encantou milhares com seu canto.

sábado, 21 de abril de 2012

5.2

 
foto Arquivo Público DF

52 anos! 
Brasília foi feita para impressionar os arqueólogos do futuro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

dia do Índio Galdino


Na madrugada do dia 20 de abril de 1997, cinco jovens de classe média alta de Brasília, atearam fogo no índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, que dormia num ponto de ônibus. Os burguesinhos alcoolizados e dementes acharam que o homem era mendigo, e disseram que pretendiam fazer “apenas uma brincadeira”, como se isso fosse "menos grave". O índio teve 95% do corpo queimado e faleceu horas depois no hospital.

Galdino voltava das comemorações do Dia do Índio, veio à Capital com outros sete líderes para pedirem pela recuperação de Caramuru-Paraguaçu, sul da Bahia, que são terras indígenas sagradas em conflito com fazendeiros. Chegou muito tarde dessas reuniões, cansado, com fome e sono, e a dona de uma pensão na W3 Sul não o deixou entrar.

Em 2001 os quatro criminosos maiores de idade receberam pena de 14 anos de prisão. Conseguiram alguns privilégios, como o direito de sair da cadeia para trabalhar e, desde 2004, 10 anos antes do previsto, estão em liberdade. Já foram vistos passeando em shoppings, filas de cinema... O único menor de idade, na época com 17 anos, ficou apenas três meses detido numa instituição para menores infratores.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

the end

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara pra faculdade. Você vai pro colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando... E termina tudo com um ótimo orgasmo!!! Não seria perfeito?"

Este texto de Charles Chaplin define exatamente o desejo de todos os simples mortais.
E o imortal Carlitos faria aniversário hoje. 123 velinhas acesas.

domingo, 15 de abril de 2012

o porto de Saraceni

Uma mulher quer se livrar do marido opressor, machão, chato. Não por acaso tem um amante, a quem pede para eliminá-lo de uma vez por todas da vida dela, no caso, deles. Com um plano na cabeça, estende o pedido para um soldado e barbeiro. Mas os três se negam a cometer o crime. Diante da recusa, a mulher resolve tudo sozinha.

O cenário dessa história é a pequena cidade Itaboraí, no Rio de Janeiro, e se passa no começo dos anos 60. Foi levada para o cinema por Paulo César Saraceni, em "Porto das Caixas", de 1962, seu primeiro longa, com roteiro baseado na história original de Lúcio Cardoso, o grande escritor mineiro que teve ainda outros livros adaptados pelo cineasta, "A casa assassinada", 1970, e "O viajante", 1998, fechando a chamada "trilogia das paixões". "Mãos vazias", seu romance de 1938, foi transposto ao cinema por Luiz Carlos Lacerda, em 1971, um dos filmes que mais me impressionou na adolescência.

"Porto das Caixas", é um dos filmes seminais do movimento Cinema Novo. Nessa época foi assinado o Manifesto Cinemanovista, juntamente com Glauber, Alex Viany, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Cacá Diegues, Ruy Guerra...

É um dos mais belos filmes do cinema brasileiro. O clima da cidade do interior, a quietude e decadência de fábricas paradas, um convento em ruínas, o barulho enferrujado de uma estação de trem, um parque de diversões vazio, são alguns elementos que dão grande força poética ao tratamento cinematográfico de Saraceni, em que pese o enredo trágico da história.

A primeira vez que assisti a "Porto das Caixas", pareceu-me estar diante de um exemplar neo-realista. A presença de Reginaldo Faria e Irma Alvarez no elenco, a câmera de Mário Carneiro e os longos planos, a música de Tom Jobim, realçam a composição de um cinema que ousava com uma proposta diferente do que se via nas produções da Atlântida e Vera Cruz.

Paulo César Sareceni foi embora ontem para outros portos, aos 78 anos.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Fortaleza ao longe

não não não aquele mar não é o mar
sequer um postal noturno do mucuripe
enviado por um parente em algum sonho

são luzes, apenas

são meus olhos, apenas

ali não há barcos
nem peixes
nem o rapaz
que namorava
“sem ter medo da saudade
e sem vontade de casar.”


Certa vez, aqui em Brasília, avistei o horizonte noturno da janela do oitavo andar. Luzes piscavam ao longe como barcos lentos no mar. Por um instante tive a certeza que estava em Fortaleza, que via o Atlântico em Fortaleza, que barcos vinham me buscar para Fortaleza. Eu subiria num pier no Lago Paranoá e ouvindo "Terral" do Ednardo, navegaria até o Mucuripe.

A saudade tem desses delírios. A saudade cria vontades e imagens. A saudade, ao contrário da música, dá vontade de casar.

Hoje é aniversário da cidade de Fortaleza, 286 anos. A morena desposada do sol - assim prefiro.

Daqui do cerrado meu peito cerrado de lembranças lhe abraça, Fortaleza.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

ano passado no Cinema

"'O ano passado em Marienbad', aquele filme de Alain Resnais que é o auge do existencialismo 'cool' e da presunção".

A frase é do baixista Keith Richards em sua biografia "Vida", ao lembrar que o diretor do Sidcup Ar
t College, em Londres, onde estudou quando garoto, colocou os alunos como figuras num jardim geométrico para um foto de lembrança, homenageando o filme francês como a mais elevada forma de arte e vanguarda.

Pelo tom da definição do stone à obra de Resnais, não parece que curte o filme, ou admira e como bom provocador gosta de ver as pedras rolando. Eu gosto do filme e também da frase do Keith Richards. "Existencialismo cool" é ótimo!

"Ano passado em Marienbad", causou rebuliço na imprensa e crítica no lançamento no Festival de Cannes, em 1961. E foi motivo de muitas sessões e discussões no que se denominou "cinema de arte" de lá pra cá.

O cinema de vanguarda na década de 60 é um caleidoscópio narrativo, e isso é o grande barato. Em "Marienbad" três personagens centrais, em quatro perspectivas de tempo, conduzem o filme, cada um narrando fatos e situações que aparentemente são distintas, e que se entrelaçam à proporção que se confundem. Não há um enredo linear, claro. Mas a construção, ou desconstrução, experimental de Resnais, provoca no espectador uma montagem emocional ao discutir amor e solidão. Não é fácil assimilar. Nada é convencional. Considero a mais radical obra de Resnais, se compararmos com "Hiroshima, meu amor" (meu preferido), "Providence" e "Meu tio da América". O mais puro sangue da Nouvelle Vague, como apontou certa vez um crítico.

"Ano passado em Marienbad" é um jogo estimulante com o tempo. Ao contrário de filminhos que "provocam adrenalina", o filme de Resnais cutuca os neurônios: para pensar, sim; para filosofar, sim; para atordoar, sim. Cinema. O resto é paisagem nos multiplexes.