sábado, 22 de outubro de 2011

primavera no velho oeste

Saddam Hussein, Osama Bin Laden, Muamar Kadafi. Longe de mim apoiá-los. Mas desperta reflexão a história deles, principalmente o fim de cada um, que se assemelha entre si. Por um longo tempo foram parceiros dos Estados Unidos, que lhes deram toda atenção, enquanto economica e estrategicamente interessava à Casa Branca o que extraía de seus países. Ao governo americano pouco lhe importava o que esses tiranos faziam com seus povos. Hussein e Bin Laden já tiveram boas relações com o mundo ocidental cristão, capitalista e dito democrático antes de serem representantes do "eixo do mal". Kadafi vinha se aproximando dessa diplomacia, tentando iludir e restaurar relações, até apertou a mão de Barak Obama na reunião do G-8. Jogo de mentiras de todos os lados.

As manifestações realizadas com objetivo de questionar os regimes autoritários e centralizadores que ocorrem em diversos países do Oriente Médio é mais um script pensado em Hollywood, intitulado Primavera Árabe. 

Os videos que estão no ar com as cenas da captura e morte de Kadafi têm a logística norte-americana: peça sem importância nesse tabuleiro, que os "rebeldes" trucidem, que povo se revolte e faça justiça com as próprias mãos e armas financiadas pela Otan. Como bem analisou o colunista político Mauro Santayana, o que vem acontecendo é uma forte advertência aos países árabes que têm sido vassalos fiéis de Washington. Os príncipes da Arábia Saudita que se cuidem. O Paquistão, ao que parece, já está com suas barbas no molho. 

O cowboy e boina-verde John Wayne sempre atira primeiro e pergunta depois. Quando pergunta.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

domingo, 16 de outubro de 2011

detalhe

Tem-se a majestade de um elefante para se admirar, e fica-se preocupado no detalhe se a unha dele está pintada. É assim que se desenvolvem as futilidades.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 11 de outubro de 2011

civilização posterior

"Depois de Atenas, após a Renascença, estamos agora entrando na civilização do traseiro."

Do visionário Jean-Luc Godard, em seu filme "Pierrot le fou" (no Brasil, "O demônio das onze horas"), de 1965! 

Lembrei-me desse "vaticínio" do cineasta depois que li há pouco sobre um tal concurso Miss Bumbum Brasil, pela internet. As candidatas representando seus respectivos estados, todas com perfil de "heróinas" BBB, por razões óbvias são apresentadas de costas. Precisam mostrar o que e com que pensam.

cinema em cartaz


Começa hoje no cine Brasília a mostra CCBB em Cartaz, com 15 filmes inéditos nas telas da cidade.

O filme de abertura é "Riscado", premiado nos festivais de Gramado e Rio, dirigido por Gustavo Pizzi, que estará presente para um debate após a sessão.

Os filmes da mostra foram bem selecionados. Imperdíveis. Agende-se para o bom cinema e risque a programação imbecil das salas nos shoppings. 

A entrada é franca.

valeu, Marceleza!


"Todos reconhecem a importância dele no rock e nunca o chamaram pra nada disso quando estava vivo. E outra: gringos com metade do tempo de carreira e de qualidade duvidosa iriam se apresentar no palco principal. Tô completamente fora desse troço! Não preciso disso." 

Reação do roqueiro Marcelo Nova ao ser convidado pelos organizadores da "micarê" Rock in Rio para homenagear Raul Seixas juntamente com outros artistas em palco secundário do evento. Fez bem.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

outras telas

 cena de "Protetor", de Marek Najbrt
Olha-se a programação de cinema na cidade e, com exceção de um ou outro filme, não tem nada que se aproveite. A mesmice de sempre. O cinemão se recicla em bobagens. Os filmes estão cada vez mais parecidos com video games e novelas.

Aqui em Brasília a saída é o circuito alternativo. O CCBB apresenta a Mostra de Cinema Tcheco, composta de quase vinte títulos inéditos, representativos da cinematografia daquele país. Estão lá filmes de cineastas como Miloš Forman, Jirí Menzel e Jan Sverák.

Na sequência, Mostra de Cinema Coreano. Kim Ki-Duk está na lista, com o ótimo "Primavera, Verão, Outono, Inverno e ... Primavera".

Na próxima semana, o cine Brasília exibe a segunda edição da mostra que apresenta longas nacionais e internacionais contemporâneos, todos inéditos na cidade. Entre os quinze anunciados, o aguardado "Belair", de Bruno Safadi e Noa Bressane, e o polêmico "Melancholia", de Lars Von Trier.

Cinema não é só pipoca.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Jaborandy

 foto Divulgação 2º Fest Cine Maracanaú

Meu primeiro encontro com o ator Cláudio Jaborandy foi em 1998, quando ele interpretou o Ascenso no filme "Oropa, França e Bahia", de Glauber Filho, onde fiz assistência de direção. Já tinha visto o Jabô num pequeno papel em "Iremos a Beirute", outra produção cearense, dirigida por Marcus Moura um ano antes. De imediato falei pro Glauber, depois de uma reunião pra leitura do roteiro: "explora esse cara, ele bom demais". E não deu outra!

 foto William Lima

Tenho acompanhado a carreira do meu conterrâneo com a admiração de quem se magnetiza pela arte em estado puro. Jaborandy brilha em todos os filmes em que participa, seja em papéis principais, como em "Latitute Zero", de Toni Ventura, ou em aparição de destaque, como em "Céu de Suely", de outro cearense danado de bom, Karin Aïnouz. Pelas minhas contas, são dez filmes até agora. E ainda se "aventura" em televisão, atuando em novelas, onde, como se sabe, é um espaço limitado e corrido onde o ator não pode mostrar todo o seu potencial, mas que funciona bem como veículo pra um conhecimento maior do público.

Pena que, por compromissos dele à epoca, não pode fazer um dos personagens no meu filme "O último dia de sol", em 99. Mas já lhe disse que ele não me escapa e estará no meu próximo trabalho.

Jaborandy é um dos homenageados no 2º Fest Cine Maracanaú, que começou ontem em Fortaleza e segue até dia 9.

Parabéns aos organizadores do evento pelo justo reconhecimento.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

mais dos mesmos

 Edgard Navarro e Luiz Paulino dos Santos em "O homem que não dormia", de Navarro.

A premiação das principais categorias do 44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro cai no óbvio ululante. Conservador, o juri deixou passar batido filmes ousados e desobedientes como "O homem que não dormia", de Edgard Navarro (apenas com o troféu de ator-coadjuvante, Ramon Vane), o literalmente pop, pela temática popular, "Vou rifar meu coração", de Ana Rieper, e um dos curtas mais corajosos que vi recentemente, "A casa da Vó Neyde", do paulista Caio Cavechini.

Fora o do Navarro, os outros dois não ganharam sequer uma menção. Até o público, através da votação nas urnas, deixou-se levar pelos bonitinhos televisivos na tela do cine Brasília e elegeu maciçamente os mesmos de sempre, quando se esperava que a acolhida calorosa na noite de exibição do filme de Ana Rieper o consagrasse como favorito.

domingo, 2 de outubro de 2011

Navarro, o super-outro

"O homem que não dormia", longa de Edgard Navarro exibido sexta-feira no Festival de Brasília, não faz concessões e nem está preocupado se desafina o coro dos contentes. O baiano faz parte dos pensantes cineastas autênticos, ou de autênticos cineastas pensantes, ou de cineastas pensantes autênticos, tanto faz: a ordem dos detratores não vai alterar o produto na tela. Se o nosso cinema atual tivesse mais cineastas como Navarro, Cláudio Assis, Petrus Cariry, Karin Aïnouz, Eric Rocha, e outros raros, cada um com seu olhar original, a estampa seria menos contemplativa.

O cinema dessa turma não choca. O que choca é a mesmice de um cinema agora edulcorado numa dramaturgia televisiva.

Diga aí, Edgard Navarro: "Eu rigorosamente digo que não coloquei nada para chocar. Já estou chocado há muito tempo."