terça-feira, 28 de setembro de 2010

a certeza na frente, a história na mão

 
 
"O problema é que você quer falar com Geraldo Vandré. E Geraldo Vandré não existe mais, foi um pseudônimo que usei até 1968." 


É o que diz Geraldo Pedrosa de Araújo Dias, 75 anos no último dia 12, quando o procuram. O mitológico autor de "Pra não dizer que não falei de flores" continua recluso em um pequeno apartamento em São Paulo, arrodeado de livros e um violão.

sábado, 25 de setembro de 2010

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

data venia a nós o vosso voto

 Lézio

Esses togados do STF são uns engraçadinhos... Passam 11 horas discursando polidamente, expondo complexos preceitos jurídicos para justificar seus votos a favor ou contra ou muito pelo contrário da aplicação da Ficha Limpa, para tudo terminar no empate e no impasse e começarem a bater boca como se estivessem num boteco, uma excelência ironizando a outra.

Diante do 5 a 5 que não virava 6, a ministra Ellen Gracie, em sua elegância pétrea, sugeriu que encerrassem o batibarba e fossem todos para casa dormir.

Ora, data a venia!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

dois pra lá, dois pra cá

 
 
Quanto maior o sentimento de antipatia que se tem por uma pessoa, maior o vínculo que se mantém  com ela. O mesmo ocorre com a simpatia. Só que de forma prazerosa.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

nem toda sombra na parede é cinema

 O testamento de Dr. Mabuse, de Fritz Lang, 1932

Um amigo disse-me que não vê filmes no computador. No máximo, em dvd. Eu vejo. Não é uma rima, mas é uma solução. Há uma semana estou revendo a filmografia de Fritz Lang; antes fiz o mesmo com a de Yasujiro Ozu, depois passo pra Tarkovski. Revisitando o Cinema. Não há a mais remota possibilidade de assistir a esses filmes no circuito comercial. Provavelmente - e olhe lá! - em alguma mostra promovida por embaixadas, pelo menos seria assim aqui em Brasília.

Claro que seria bem melhor ver o bom cinema nos telões das grandes salas. Mas onde estão essas salas? Nos multiplexes? A "assepsia"  dessas saletas de shopping  começa na frieza da bilheteria, que separa o funcionário do espectador por um espesso vidro e "comunica-se" por um microfone high tech. Não há calor humano nem nesse momento. E se o filme em cartaz for um 3D a sua "aproximação" com os personagens é uma grande mentira, enganação. O tridimensional entra pelo primeiro coração através de uma boa história, um bom roteiro, uma boa direção, e elenco de atores, não de astros.

Não troco duas horas de um avatar por um plano silencioso de Tarkovski, uma câmera-tadame de Ozu, um ângulo expressionista de Lang, uma sequência humanista de De Sica, um take onírico de Fellini, uma câmera delirante de Glauber, um duelo ao por do sol de Sergio Leone, um susto de Hitchcock, uma parábola segundo Pasolini, uma verdade-mentira de Orson Welles, um Monument Valley de John Ford, um samurai de Kurosawa,  um contra-plano de Antonioni, uma dissecação n'alma de Bergman, um caso de amor de Truffaut... mesmo na telinha no meu computador, chupando drops de anis...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

ora (direis) ouvir estrelas

 
Hoje o planeta Júpiter está "apenas" 592 milhões quilômetros de distância da Terra. É o ponto mais luminoso depois da lua na escuridão sobre nossas cabeças. O fenômeno ocorre a cada 13 anos, portanto, somente em 2022 estarão novamente "juntinhos".
Para os cientistas que vasculham o universo o acontecimento é de muita importância.

E eu aqui na minha temporalidade não vejo o que isso afeta na minha segunda-feira.

sábado, 18 de setembro de 2010

quem te viu, quem tv

 
Há 60 anos Assis Chateaubriand espalhou por São Paulo 200 aparelhos receptores de sinal de tv. Pode-se dizer que a televisão brasileira nascia naquela data. 
Hoje são mais 60 milhões de aparelhos multifacetados por este Brasil varonil.
Do indiozinho símbolo da TV Tupi ao plim-plim global, a programação televisiva piorou bastante.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

o papa não é pop

 caricatura Alisson

O ultraconservador Joseph Alois Ratzinger, mais conhecido como Papa Bento XVI, está na Grã-Bretanha para visita e salamaleques monárquicos de quatro dias, mesmo com protestos programados por parte da população.

O chefe da Igreja Católica celebrará duas missas, e os fiéis interessados pagarão 25 libras (algo em torno de 30 euros) para assistí-las - cada uma! O ingresso dá direito a um cd e livro de orações, e terão a "oportunidade" de ouvir Susan Boyle cantar.

Templo é dinheiro. De qualquer igreja.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

terça-feira, 14 de setembro de 2010

o poeta narrador

  foto Arquivo NV

Para o cineasta francês Claude Chabrol, falecido domingo, aos 80 anos, existem dois tipos de cineastas: o narrador e o poeta.
Ele explica melhor aqui.

Para mim ele foi os dois tipos. Filmes como "Os sete pecados capitais", "Mulheres fáceis", "Os primos", e tantos outros, provam isso. Chabrol, um dos criadores da Nouvelle Vague, foi o mais feroz crítico da burguesia francesa, dissecando-a no sentido histórico, analisando-a como comportamento gradativo e doente do ser humano.  A hipocrisia e o ridículo de seus personagens eram o retrato fiel de uma sociedade que ele combatia, nas comédias e nos dramas, de maneira corrosiva, áspera, e muitas vezes com deboche. Mas tudo com uma bela narrativa poética.

sábado, 11 de setembro de 2010

é tudo verdade


 - O que você estava fazendo no momento dos ataques às Torres Gêmeas?

Eu estava em casa, lendo "Orson Welles no Ceará", de Firmino Holanda. Minha mulher me ligou dizendo apavorada "liga a tv!". Deixei Orson Welles nos mares bravios alencarinos, continuando o ainda inacabado "It's all true",marcado por uma tragédia nas filmagens: a morte de Jacaré, líder político dos jangadeiros, no início dos anos 40. 

Deixei de lado o cidadão Kane e fui ao seu país, acompanhar ao vivo outra tragédia que mudaria definitivamente o século XX para este em que estamos vivendo sob o domínio do medo, sob a incontrolável ganância de quem detém o poder em seus botões, tempo de partidos, de homens partidos, como diria Drummond.

Meu filho tinha quatro anos e me agarrei a ele como quem se abraça à esperança, como quem suplica a paz. Ele assistia às torres caindo com o mesmo interesse que assistia aos desenhos dos super-heróis americanos. Não entendia bem o meu pavor e eu entendi bem a sua inocência.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

manobras de Brasília

 foto O Globo
 
Ontem, às 6h30, o holandês Duncan Zuur driblou a segurança e fez manobras radicais com um wakeboard no espelho dágua do Congresso Nacional. 

Essa, sim, é uma manobra politicamente correta.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

o século passado a limpo


"Se quisermos compreender o mundo do qual acabamos de emergir, precisamos ter em mente o poder das idéias."

Do historiador e escritor inglês Tony Judt, um dos maiores pensadores de todos os tempos, em seu livro "Reflexões sobre um século esquecido - 1901-2000", um conjunto de ensaios, recentemente lançado no Brasil.

O autor faleceu há um mês, depois de dois anos resistindo à terrível doença neurodegenerativa progressiva, a mesma do físico Stephen Hawking.

Outro livro muito bom de Tony Judt é "Pós-Guerra - Uma história da Europa desde 1945", de 2006.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

a celebração dos balcãs

 
 foto Divulgação

O festival Cena Contemporânea, em Brasília, que começou dia 25 de agosto,  encerrou ontem à noite de forma apotéotica, magnífica!  A apresentação do músico servo-bósnio Goran Bregovic e sua Orquestra Para Casamentos e Funerais, na área externa do Museu Nacional da República, foi um dos espetáculos mais emocionantes a que assisti. Impossível agora calcular a quantidade enorme do público presente, todos em estado de êxtase com a música envolvente desse grande artista.
Foram duas horas de show. O bis foi outro show à parte. Goran e seus músicos não conseguiam sair do palco, "presos" aos aplausos e gritos da platéia.

Goran, autor de trilhas dos filmes de Emir Kusturica, como "Arizona dreams" e  "Underground", sempre foi um dos músicos mais populares do seu país, desde sua banda Botão Branco, lá pelos anos 70.

Graças a ele, a música balcânica foi apresentada ao mundo e influenciou muita gente boa, como os americanos do Beirut, os brasileiros André Abujamra e Móveis Colonias de Acaju e muitos DJs. Ele mescla de forma brilhante a sonoridade da música folclórica balcânica com acordes modernos. Sua orquestra é composta pelo volume de metais ciganos, vozes tradicionais da Bulgária, percursão típica da região montanhosa, cordas e um elegante coro masculino proveniente das igrejas ortodoxas e cristãs. Esse saboroso encontro profano da loucura cigana com o erutido religioso é que caracteriza a singularidade da música de Goran.