terça-feira, 29 de junho de 2010

boys don't cry

"Born to cry" foi composta em 1962, por Dion DiMucci, um roqueiro bom-moço, norte-americano filho de italianos, que seguia os rastros dos cometas de Bill Harley, Ritchie Valens e toda a turma de gomalina e topete dos anos 50 e 60, que faziam "aquele rockzinho antigo que não tem perigo de ferir ninguém", como dizia o Rauzito Seixas.

No Brasil há várias e boas gravações, literalmente "Nasci para chorar", versão feita pelo fingido badboy Erasmo Carlos. Primeiro foi Roberto Carlos quando tinha uma lambreta, no disco de 1964, depois Fagner quando comprou um carro e parou na contramão da música cearense com o disco "O último pau de arara", tudo isso sem contar com o tremendo tapa na pantera que levamos com a interpretação visceral de Cássia Eller... Mas essa história da versão é também interessante na voz rouca de Toni Platão, aqui num show ano passado, gravado no disco de 2008.

o futebol é uma caixinha de surpresas




 Em tempo de Copa, algumas curiosidades surpreendentes.

Albert Camus dizia que preferia assistir qualquer partida de futebol a ir ao teatro. O grande escritor franco-argelino, autor de obras como "O estrangeiro", "O mito de Sísifo", "A peste", prêmio Nobel em 1957, foi goleiro durante dois anos do Racing de Argel. As crônicas desportivas da época faziam referência à sua bravura e ao seu espírito de liderança em campo. Durante uma palestra no Brasil, na década de 40, pediu que o levassem para ver um jogo de futebol. Só não seguiu a carreira esportiva porque teve tuberculose e foi obrigado a parar. 


E essa observação "existencialista" é bastante interessante: Jean-Paul Sartre dizia que no futebol o que complicava era a presença da equipe adversária. Não deixa de ser uma variação atenuada de sua máxima que desenvolvia a tese de que "o inferno são os outros".



Fernando Pessoa viveu dos sete anos de idade até a adolescência na África do Sul, mais exatamente em Durban, uma das sedes deste Mundial. Foi para lá em virtude do segundo casamento da mãe com o cônsul de Portugal. Aprendeu inglês e era visto como um rapaz esquisito. Preferiu voltar para a terra natal, morar com  a avó, criar seus heterônimos e fingir que o poeta é um fingidor.

domingo, 27 de junho de 2010

o amor é como um grão


Quem poderá fazer
Aquele amor morrer
Se o amor é como um grão
Morre, nasce trigo
Vive, morre pão

http://www.youtube.com/watch?v=ONrfUkBEN6I 

eu morro de amores



Eu fico com essa dor
Ou essa dor tem que morrer
A dor que nos ensina
E a vontade de não ter
Sofrer de mais que tudo
Nós precisamos aprender
Eu grito e me solto
Eu preciso aprender
Curo esse rasgo ou ignoro qualquer ser
Sigo enganado ou enganando meu viver
Pois quando estou amando é parecido com sofrer
Eu morro de amores
Eu preciso aprender

sexta-feira, 25 de junho de 2010

sem problemas com o jazz



"No problem" neste começo de noite de sexta-feira.

Aqui uma faixa do disco "Flight to Denmark", de um dos melhores pianistas de jazz que não paro de ouvir, o norte-americano Duke Jordan, gravado na Dinamarca, onde ele passou a morar no final da década de 70 até 2006, quando faleceu.

De uma discografia solo de quase 20 títulos, todos são ótimos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

aquele beijo que te dei

 
 
Edith Shain, a enfermeira que ficou famosa por esta foto de Alfred Eisenstaedt, faleceu domingo passado, aos 91 anos. A imagem do Dia da Vitória foi feita em 14 de agosto de 1945. Edith foi beijada por um marinheiro norte-americano na Times Square, em Nova York, comemorando o fim da Segunda Guerra Mundial. 

  foto: USAToday

O registro se tornou um ícone da história dos Estados Unidos após ser publicada na revista Life. Até onde se sabe, nada foi ensaiado para o fotógrafo. E a identidade da enfermeira só foi conhecida no final dos anos 70, quando ela procurou Eisenstaedt para afirmar que era a mulher beijada.

Quanto ao marinheiro, há anos esse senhor, Glenn McDuffie, tenta provar que  é o beijoqueiro.

foto: Mail Online

Mas há outros que reivindicam a autoria do comemorativo ósculo.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

movimento interior

 foto Arquivo NV
 
Robert Bresson, o minimalista, o mestre do cinema como movimento interior e incomunicação.

o rotina tem seu encanto

 foto Arquivo NV
 
Yasujiro Ozu, o cineasta do cotidiano, dos laços e desenlaces familiares. Sua câmera está sempre na altura dos corações dos que partem e dos que voltam para casa.

sábado, 19 de junho de 2010

as extremidades da vida

 foto Rubens Venancio

Estabelecimento em frente ao cemitério de Messejana, bairro localizado na zona sudeste da capital cearense.

Tipo da foto que se completa com a legenda, com as informações. Mas isso não tira o valor da foto em si. Pelo contrário. Revela uma arguta observação do autor, que por sua vez revela a vivacidade popular, que no cotidiano, no aparentemente banal, no fugaz e fugidio do que existe aos seus olhos,  encontra as extremidades da vida. Há uma tríade beleza na imagem: a foto, a destreza de sacação do fotógrafo, a sagacidade de quem nomeou o local.

um inventor de utopias

 foto Céu Guarda

"Se não for o escritor a inventar utopias, os políticos não as inventam, com certeza".

José Saramago

longa é a arte, breve é a vida.

 foto Vitor Sorano/G1

"Eu senti primeiro a perda do homem, o amigo. A obra já estava no bolso e no coração."


Nélida Piñon durante o velório de José Saramago, em Lisboa.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

a última madrugada

 foto El Pais

"Cada coisa chegará no tempo próprio, não é por muito ter madrugado que se há de morrer mais cedo."

José Saramago, que hoje madrugou pela última vez, aos 87 anos.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

nas escavações do rock

 
 foto Cris Pereira

Sexta-feira passada assisti ao show de Sérgio Augusto Bustamante, esse senhor de 76 anos de loucura e acordes dissonantes, mais conhecido como Serguei. A paleontóloga apresentação da lenda viva do rock brasileiro foi cidade-satélite Taguatinga, a uns 20 quilômetros de Brasília. Local apropriadíssimo para as escavações e exibição do pansexual Serguei.

A figura é uma figura. Só vendo. E ouvindo, mesmo que a voz rouca não seja mais essas rouquidões todas. Foi revenciado, apalpado, beijado, por um seleto e excitado grupo de fãs, como se fosse um Mick Jagger descamisado de Iggy Pop. A postura outsider cada vez mais reincidente. 

Aqui no video, cantando "Summertime", clássico eternizado na versão blues de Janis Joplin, com quem ele assegura ter rolado sexo, drogas e rock and roll - não necessariamente nessa ordem.

terça-feira, 15 de junho de 2010

com a mão na massa!

 foto United Artists

Um amigo flagrou o filho de 12 anos masturbando-se no sofá da sala assistindo a um clipe de Lady Gaga. Perguntou-me o que deveria ter feito.

- Sei lá... é normal... não repreendesse o menino por isso. Comentasse pelo menos o "estimulante" de mau gosto. Sugerisse algo mais digno aos florescentes estímulos sexuais da idade. Skakira, Beyonce, Rihanna...

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Keith rock and roll

 
 foto Divulgação

"Mick é o rock. Eu sou o roll" - Keith Richards, quem considero a alma do Rolling Stones. Mick Jagger é apenas o corpo.

Mas o meu amigo bandleader Ricardo Augusto vai mais além: diz que Keith Richards é a alma do próprio rock and roll.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

no solo sagrado da África do Sul

 
 foto Michelly Rall/Getty Imagens Europe

Na abertura da Copa do Mundo, ontem em Johanesburgo, destaco o som contagiante do grupo hip-hop/dance Black Eyed Peas e sua voluptuosa vocalista Fergie; a irresistível música do cantor e guitarrista maliano Vieux Farga Toure, celebrando uma bela fusão do blues africano com o reggae e o dub; a sensualidade provocante da colombiana Skakira; mas o bom mesmo foi o discurso do arcebispo Desmond Tutu, Nobel da Paz em 1984, vestido com a camisa da seleção da casa e um cachecol dos Bafana Bafana, prestando uma emocionante homenagem a Nelson Mandela, saudando a todos "bem-vindos ao solo sagrado da África do Sul!"

quinta-feira, 10 de junho de 2010

o profeta das cores

 fotos Divulgação

Entre Lady Gaga, Fiuk e outras ninharias, pouca, quase nada de notícia nos "cadernos culturais" sobre a morte do grande pintor, escultor e ceramista Antonio Poteiro, aos 84 anos, terça-feira, em Goiânia, onde estava radicado desde que chegou ao Brasil. Nascido em Portugal,  foi um dos mestres da pintura primitiva.

terça-feira, 8 de junho de 2010

o último sobrevivente

 foto TheSun

Jack Harrison, um escocês considerado o último sobrevivente da fuga de uma prisão nazista na Polônia, faleceu hoje aos 97 anos.

Harrison foi um dos participantes da fuga do campo de concentração Stalag Luft, situado em uma floresta da cidade polonesa Zagan, em março de 1944. Naquela noite, cerca de 200 prisioneiros protagonizaram uma grande escapada através de um túnel. O plano foi audacioso: construiram três túneis, se um deles fosse descoberto os outros serviriam para a evasão. E ainda bolaram  um esquema para, após a fuga, chegarem até a Inglaterra ou qualquer outro país neutro.

 foto TheSun

O episódio inspirou o livro do escritor australiano Paul Brickhill, em 1950, e serviu de base para o roteiro do filme "Fugindo do inferno" (The great scape), produção americana de 1963, dirigida por John Sturges. Com quase três horas de duração é, sem dúvida, um dos melhores filmes ambientados na Segunda Guerra Mundial. Tenho uma cópia em dvd para quando sinto falta de saborear um bom cinema num sábado à tarde. Narrativa tensa e envolvente, personagens cativantes e um elenco que reune grandes intérpretes como Steve McQueen, James Garner, Richard Attenborough, James Coburn, Donald Pleasence e Charles Bronson, um ator que fez muita coisa boa antes de se tornar o durão vingativo da série "Desejo de matar" 1, 2, 3... que o popularizou na década de 80.

 
Livre, o veterano Jack Harrison teve que queimar sua documentação e trocar sua roupa pela de um engenheiro da companhia Siemens, para se tornar um dos 76 homens que conseguiram escapar e um dos três que conseguiram completar a fuga e chegar sãos e salvos no Reino Unido.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

o caminho de volta

 
 foto Arquivo NV

Dennis Hopper será enterrado na cidade Taos, Novo México. Foi lá que ele digiriu, atuou e editou o clássico "Sem destino" (Easy rider), em 1969.

Era o desejo dele.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

novo Polanski

 
Estreia no Brasil o novo filme de Roman Polanski, "O escritor fantasma", que teve edição finalizada em sua casa-prisão na Suíça.

a elegância do jazz

 foto Divulgação

Sofisticação harmônica, timbres ricos, suinge impecável: o jazz na sua melhor tradução de elegância.

Essa foi a sensação que tive ao sair agora há pouco da apresentação do contrabaixista Ron Carter, no CCBB em Brasília.

Vivia "perseguindo" esse senhor, até que consegui vê-lo e ouvi-lo.