quinta-feira, 29 de abril de 2010

mademoiselle Zaza


Imperdível: o show da ótima cantora e acordeonista francesa Zaza Fournier. Hoje, às 21h, no Teatro Sesc, em Brasília.
Mas eu perdi. São 23h38, o show já terminou, Deus não quer que eu fiquei mudo e teclo esta queixa.

Anunciaram o show, local, preço de entrada, tudo, quando todos os ingressos estavam esgotados há um mês. A divulgação rolava no site da Aliança Francesa, patrocinadora da moça na excursão em algumas capitais brasileiras. Única apresentação, numa sala com pouco mais de cem lugares. Quer dizer: só pra turma das aulinhas de francês. Sacanagem.

Vamos no youtube.

terça-feira, 27 de abril de 2010

o último dos poucos

 

Em 1993 assisti a um dos últimos shows de Sérgio Sampaio (1947-1994), no bar Feitiço Mineiro, em Brasília. Foi uma alegria ver, ouvir e falar com um dos artistas que mais admiro.
Sérgio Sampaio, aquele que queria botar o bloco na rua, nunca fez concessão às exigências e burrice de alguns setores da música brasileira. Anos-luz à frente de muitos, com sua música e letras que são verdadeiros poemas.
Íntegro, não se entregou: morreu de parabélum na mão.

domingo, 18 de abril de 2010

vontade de ser novamente um menino

 foto Arquivo RC

 Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Composta em 1978, sempre considerei essa música do Roberto Carlos uma  bela canção para o dia das mães. Não foi essa intenção do cantor, e sim homenagear aquela que lhe gerou, criou, e lhe ensinou as primeiras notas musicais. Pela beleza poética, pela mensagem, pela interpretação, "Lady Laura" é extensiva a todas às mães, todas as ladies Lauras que nos dão vontade de ser novamente um menino e na hora do desespero gritar por elas.

Laura Moreira Braga, a lady do Roberto, morreu ontem aos 96 anos. Ele homenageava a mãe cantando a música em um show em Nova York, sem saber da notícia.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

buliram muito com o planeta


Tsunamis, terremotos, inundações, desmoronamentos, e agora erupção de um vulcão adormecido há 200 anos na fria Islândia de Björk, lançando cinzas com seis mil metros de altura, impedindo o tráfego aéreo em vários países do norte da Europa.
O planeta está incomodado com seus habitantes.

Lembrei-me agora do Maluco Beleza: "buliram muito com o planeta / e o planeta como um cachorro eu vejo / se ele não aguenta mais as pulgas / se livra dela com um sacolejo", na música "As aventuras de Raul Seixas na cidade de Thor", vaticinada em 1974, quando o mundo ia acabar por volta de 2000... 

quarta-feira, 14 de abril de 2010

um filme sério


 Michael Stuhlbarg, "Um homem sério". Foto Universal Pictures

"Um homem sério" (A serious man), de Joel e Ethan Coen, é um filme imperdível. Misturando judaísmo e um pouco de psicodelismo nos final dos anos 60, ao som de Jefferson Airplane, o roteiro tem uma narrativa incômoda e nonsense, retratando uma América incoerente e medíocre.  O estilo de humor perturbado e aparentemente sem sentido que os cineastas apresentam é exatamente  o que provoca essa reflexão. Coloquemos o filme com um relato "normal" da história de um angustiado professor judeu no seu cotidiano, e a leitura seria outra, sem o mesmo vigor, sem uma perturbação que estimule algum questionamento.

O filme foi sacaneado pelos "acadêmicos" do Oscar deste ano, com apenas uma indicação na categoria de Melhor Roteiro Original, e ainda perdeu a estatueta para "Guerra ao terror" (The hurt locker), de Kathryn Bigelow, que não é tão original quanto. Esperar o que de uma competição onde se dá o prêmio de melhor atriz para Sandra Bullock desbancando a atuação fundamental da desconhecida Gabourey Sibide em "Preciosa"?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

a virada de Norah Jones

 
Começo a semana ouvindo o novo disco de Norah Jones, "The Fall".
Os três anteriores são ótimos, mas esse supera. Jones deu uma virada nas composições, nos arranjos, com destaque para os solos de guitarras meio "sujos", que lembram muito Tom Waits, parece até que ele vai entrar como convidado em uma das faixas. E não seria coincidência essa saudável alusão: Marc Ribot que executa os riffs, tocou na banda do dândi desengonçado, e Norah ainda contou com o auxílio luxuoso de Smorkel Hormel, guitarrista de Johnny Cash e Joe Strummer.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

o amor de Nietzsche

foto Jules Bonnet

"Adeus. Não a verei mais. Proteja sua alma contra ações semelhantes e realize melhor com os outros aquilo que comigo não tem reparação. Não li sua carta, mas li demais.”


O bilhete em tom firme, dolorido e poético é de autoria do filósofo alemão Friedrich Nietzsche, endereçado com a pontaria de um dardo à psicanalista e escritora de origem russa Lou Andreas-Salomé, em 1882, depois de ter seu pedido de casamento por ela recusado.

Nietzsche, o grande pensador da evolução humana, sucumbiu à beleza e magnetismo de Lou ao ser apresentado a ela pelo amigo Paul Rée, também alemão e filósofo, autor do clássico “Escritas básicas”. “Que estrelas em nós caíram para nos encontrarmos aqui?”, teria dito Nietzsche quando a viu na Basílica de São Pedro, em Roma. Mas as intenções de Lou eram outras. Os três, na verdade, mantiveram um intenso relacionamento até que Lou e Paul decidiram viver juntos, quando Nietzsche parte para Veneza.

A foto acima é dessa época do triângulo amoroso, onde se vê Lou com um pequeno chicote e os dois amigos no lugar onde se puxa a carroça... Mas Nietzsche não aceitou a situação e deprimido recolheu-se na casa de sua irmã Elisabeth, falecendo em 1900. Um ano depois Paul abandona Lou e suicida-se.

A escritora tinha convicções e curiosidades avançadas para aquele final do século 19. Frequentava regularmente clubes para encontros lésbicos em Viena. Casou-se com o filologista Frederick Carl, 16 anos mais velho que ela, e tinha como amante nada menos que o famoso poeta Rainer Maria Rilke, 14 anos mais novo. Em 1952 foram publicadas as correspondências entre os dois. Lou faleceu em 1937, aos 76 anos, de uremia.

Sobre o relacionamento dos três, a cineasta italiana Liliana Cavani dirigiu em 1977 “Além do bem e do mal” (Al di là del bene e del male), tendo a bela Dominique Sanda no papel de Lou. Mas o filme não foi bem recebido. O sensacionalismo em torno do tema deformou a vida de Nietzsche, na fita interpretado pelo desconhecido Erland Jose, enquanto o inglês Robert Powell, que um ano antes pegaram-no para Cristo em “Jesus de Nazaré”, de Franco Zeffirelli, ressuscitou no papel de Paul.

Melhor é o livro “Quando Nietzsche chorou”, um magnífico romance sobre o nascimento da psicanálise, lançado no Brasil em 1995. Nele, o autor Irvin D. Yalom, um psicoterapeuta americano, traça com personagens reais e situações que não aconteceram um interessante paralelo entre ficção e realidade. Lá estão Nietzsche, Lou, e os médicos austríacos Josef Breuer e Sigmund Freud.

Já o filme, baseado do livro, dirigido por um tal de Pinchas Perry em 2007, é de fazer Nietzsche chorar. 

terça-feira, 6 de abril de 2010

se eu roubei seu coração

 foto Ente Nazionale
Eu não sou fã desse filme: eu sou devoto. Vittorio De Sica não é o meu cineasta preferido: é meu padroeiro. "Ladrões de bicicletas" me roubou para o cinema e nunca mais voltei pra casa.

domingo, 4 de abril de 2010

todo o tempo do mundo


 foto Deyvison Teixeira
 
"Se tiver alguém em casa, eu não consigo escrever. Pode ser a pessoa mais íntima. Eu acho que eu tenho que ficar dando atenção. Ou eu acho que aquela pessoa vai me chamar a qualquer momento e eu prefiro nem começar o processo. Eu não consigo escrever se daqui a uma hora eu tiver de sair. Quando eu me sento para escrever eu tenho de ter todo o tempo do mundo."

Trecho da entrevista com a escritora cearense Tércia Montenegro, no jornal O Povo de hoje. 

sexta-feira, 2 de abril de 2010

tentações na Páscoa

foto Divulgação

Neste período de Semana Santa a televisão costumava reprisar alguns filmes bíblicos, como "Ben Hur" (Ben Hur), dirigido por William Wyler, em 1959, "O rei dos reis" (King of kings), 1951, de Nicholas Ray, ou até mesmo produções mais recentes, como a suntuosa minissérie televisiva "Jesus de Nazaré", de Franco Zeffirelli, de 1977, também lançada nos cinemas.
As reapresentações diminuiram, tanto em número como em qualidade. A Globo exibiu hoje em horário vespertino o fraco "Maria - Mãe do Filho de Deus", dirigido por Moacyr Góes, com Giovanna Antonelli e, nada-mais-nada-menos, Padre Marcelo Rossi.

O SBT apresentou no mesmo horário da concorrente, um tal "Judas e Jesus - A história da traição" (Judas), filminho dirigido pelo desconhecido Charles Robert Carner, com um elenco mais obscuro ainda, de 2005, lançado diretamente em dvd. E deve estar no ar na Tv Band, enquanto redijo estas sacrílegas linhas, o horrível "A paixão de Cristo" (The Passion - part 2), de Michael Offer, com elenco que nem vale a pena saber.

Nos canais fechados a maratona da Páscoa vai de "The Spirit - o filme" (The Spirit), de Frank Miller, que não tem nada a ver com o tema da semana, mas tem a bela, belíssima Eva Mendes e, de quebra, Scarlett Johansson, e entre e outro programas documentários, como "Crucificação", especiais sobre Hitchock e Claude Chabrol.

Este período pascoal é como aquele outro natalino. O interesse maior é pelo tamanho e sabores variados dos ovos de chocolates, assim como a noite de 24 de dezembro se resume aos presentes, perus-sadios e fachadas iluminadas de apartamentos. Nada contra uma coisa e outra. O que incomoda é a hiprocrisia de quem faz a festa.


Em bom tempo: na foto acima o ator Enrique Irazequi, interpretando Cristo em "O evangelho segundo São Mateus" (Il vangelo secondo Matteo), dirigido por Pier Paolo Pasolini, em 1964. O filme é excelente, foge a todo tipo de leitura que os títulos acima citados, e muitos outros, fizeram da "maior história de todos os tempos". Passar na tv? Não vejo a mais remota possibilidade.

Chico Xavier

foto Lebery/Divulgação 
 
Acho ótimo que em um país historicamente católico como o Brasil, o filme sobre a vida do espírita Chico Xavier estréie em plena sexta-feira santa. A Igreja rejeita frontalmente a doutrina do médium Alan Kardec.

Como para o Espiristimo não existem coincidências, hoje se comemora o centenário de nascimento de Francisco de Paula Cândido, nome de batismo de Chico, que desencarnou há oito anos.