sábado, 27 de fevereiro de 2010

concentração

 foto Divulgação 

“A leitura de um romance pede uma certa quantidade de concentração, foco, devoção à leitura. Se você lê um romance em mais de duas semanas você realmente não lê o romance. Então, acredito que esse tipo de concentração e foco e atenção é difícil de obter – é difícil encontrar um enorme número de pessoas, um grande número de pessoas, um significativo número de pessoas que tenham essas qualidades.” 

Philip Roth, escritor  norte-americano, em entrevista ao site The Daily Beast, por ocasião do lançamento do seu novo livro, "The Humbling".

sábado, 20 de fevereiro de 2010

uma hora de volta



Quando for meia-noite de hoje os relógios deverão atrasar os ponteiros em uma hora. Isso para quem mora nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O pessoal lá de cima foi poupado dessa chateação.

Não vejo vantagem no horário de verão. Já é a 39ª imposição anual e não me acostumo. O governo argumenta que há uma redução do consumo de energia de 4% a 5% no chamado horário de pico, ali entre o fim da tarde e início da noite, o que representa uma economia de cerca de 2.000 MW.

Mas quem acorda às seis horas, por exemplo, o tempo real é de cinco da madruga, e não dá pra ficar às apalpadelas dentro de casa feito personagem de "Ensaio sobre a cegueira". Tem que acender o abajurzinho do lado, o spotlight do corredor, a lâmpada branca da cozinha. E grande parte da população precisa levantar nesse horário. Uma economia que não justifica tanto transtorno.

Para a meninada que vai à escola o sufoco é maior, coitados. Não adianta explicar, eles não entendem porque estão acordando no horário de sempre e tudo continua escuro. Chegam na sala de aula com um resto de sono no rosto. A concentração é mínima diante da professora igualmente sonolenta. E desregula todo o organismo, causando desconforto físico, afetando o relógio biológico.

Quando já estamos quase "adaptados" às mudanças instituídas, o horário fictício termina. E lá vamos de volta acertando ponteiros, apertando digital do microondas, clicando no reloginho do computador que nem sempre é automático como se espera.

Então, caros compatriotas que moram noutros estados, sorriam, vocês não foram filmados pelo Ministério das Minas e Energia. E nós aqui não ganhamos uma horinha neste sábado pra domingo: tivemos de volta nossos sessenta minutos tirados há quatro meses.

pega leve...

Kárcio, Correio Braziliense, 20/2/2010

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

um parabéns originalíssimo!

Recebi muitas mensagens carinhosas hoje, no meu aniversário, principalmente de minha amada e de meus filhos. Dificílimo destacar um desses presentes... Mas vai um deles aqui, do meu amigo Danilo Carvalho, de Fortaleza, mais do que um técnico, um dândi de som de cinema.

Valeu, meu caro!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

um gladiador no cerrado

 
foto de Henry Ballot 
O cidadão aí na foto (de terno e chapéu de couro!), entre serpentinas e confetes, é Issur Danielovitch Demsky, mais conhecido como Kirk Douglas. O cenário: salão do então majestoso Hotel Nacional de Brasília. A data: 23 de fevereiro de 1963, um sábado de carnaval.

Naquele ano, acompanhado da sua segunda mulher, Anne Boydens, o ator estava na cidade do Rio de Janeiro, convidado para o carnaval carioca. Mas deu uma esticadinha até a nova capital brasileira. Brasília ainda era um enorme canteiro de obras, muitos esqueletos de edifícios, uma vastidão sem fim. Mas ninguém é de ferro, e os candangos se animavam como podiam naqueles quatro dias de samba, suor e poeira vermelha. O pessoal que pegava no pesado e os moradores das asas Sul e Norte, iam para a frente da Estação Rodoviária, onde aconteciam os desfiles das escolas de samba. Que nomes teriam? Unidos dos Cerrados? Descobri que a principal delas se chamava Alvorada em Ritmos.

Mas o ator de "Spartacus" não chegou a assistir a nenhum desses desfiles. No dia seguinte ao baile no hotel, deu um passeio pela cidade, andou de lancha e pescou no artificial Lago Paranoá e se mandou de volta ao Rio, claro.
Naquele começo dos anos 60 Kirk Douglas tinha feito cinco filmes de sucesso, além do citado filme dirigido por Stanley Kubrick, sobre o destemido gladiador que levou Roma à revolta dos escravos.

O ótimo western "O último pôr-do-sol" (The last sunset), 1961, de Robert Aldrich, era um desses filmes que deveria estar na memória daqueles foliões no Hotel Nacional.

"Cidade sem compaixão" (Town without pity), de Gottfried Reinhardt, "Sua última façanha" (Lonely are the brave), de David Miller, "Sede de vingança" (The Hook), de George Seaton e "A cidade dos desiludidos" (Two weeks in another town), de Vincent Minnelli, foram filmes talvez não exibidos em algum raro cinema da nova cidade, mas que levaram multidões aos cines da antiga capital, Rio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ariano e sua sina

foto Canindé Soares/ABF

O escritor, poeta e dramaturgo Ariano Suassuna é em si um espetáculo. Fazer um documentário sobre ele, deve ser uma tarefa difícil: Ariano "rouba" o filme. Qualquer frase, qualquer depoimento, qualquer opinião, qualquer discurso é uma profunda reflexão sobre qualquer assunto que ele discorra, principalmente se a matéria em consideração for a cultura nordestina, e mais ainda se estamos falando sobre a nossa língua portuguesa, que ele defende de forma assumidamente radical. O cantor pernambucano Chico Science que o diga lá de onde estiver regando as glórias do movimento mangue-beat, pois a ele foi sugerido pelo mestre que o certo seria mesmo Chico Ciência.

O cineasta paraibano Marcus Vilar enfrentou essa difícil tarefa de filmar Ariano Suassuna. Pode até ser que o diretor nem assim considere, mas creio que não foi fácil deixar o filme acontecer com Ariano tomando conta dele. Tomando conta pelo seu brilho nas palavras, pela lucidez de sua oratória, pela inteligência e acuidade de suas opiniões e argumentos, pela graça e humor de suas colocações, pela pureza quase infantil naquele senhor octogenário, pelo amor que ele tem pela arte na sua mais sagrada essência, pelas histórias narradas entre a verdade e o que poderia ter sido. Ariano é autêntico, genuíno, legítimo. É autor de si, é personagem de si. É mítico e é real. É clássico e usual. É novo e é histórico. É um dom Quixote de Taperoá, cidade  nos cafundós da Paraíba, que o acolheu menino nos anos 30. É um senhor dos castelos erguidos nas fábulas dos sertões nordestinos. É um sebastianista em que todos precisamos acreditar para salvar a miséria intelectual.

É um desafio fazer um filme a altura de um personagem tão luzidio e cativante. Marcus Vilar abarcou o projeto do documentário por longos quinze anos. Registrou eventos, aulas, palestras, fez entrevistas, perseguiu Ariano como foi possível de maneira impossível, captando imagens nas bitolas e novas mídias ao alcance da mão e da imaginação.

"O senhor do castelo", o filme, longa-metragem de 72 minutos, é uma homenagem sincera e carinhosa a esse grande brasileiro universal. Marcus Vilar não inova o gênero documentário, e nem seria essa a pretensão. O seu filme tem o mérito de consignar um patrimônio. E como trabalho, o filme tem  o mérito de não se tornar óbvio, de não ser um manifesto evidente sobre um personagem incontestável, ou não. Para isso, destaco a montagem, assinada pelo diretor e por Carlos Carvalho, aliada a uma pontual e certeira trilha musical, que teve consultoria de Fernando Farias. Destaco a montagem porque o roteiro, que está bem elaborado, é o que deveria ser mesmo, que expõe a trajetória de vida de Ariano e sua sina, não necessariamente de forma cronológica, mas ao sabor das caminhadas pelo tempo.  E melhor: não caiu na armadilha do recurso conhecido e repisado de entrevistas com terceiros. Ariano basta-se.

"O senhor do castelo" foi lançado ano passado em alguns festivais, e tem previsão de estréia para este ano no circuito em salas que se prezem a uma boa programação.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

se todos fossem iguais a você

foto Arquivo NV

"Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar", um dos lemas de Dom Pedro Casaldáliga, apostólico da prelazia de São Félix do Araguaia.

Sua total dedicação a atividade pastoral o tornou alvo de inúmeras ameaças de morte. Durante a ditadura militar, foi por cinco vezes ameaçado com processos de expulsão do Brasil.

Dom Pedro completará 82 anos no próximo dia 16. Está com a saúde física debilitada pelo mal de Packinson, mas a cabeça lúcida e o coração cheio de vida!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

antes pelo contrário

 

foto Lyubomir Bukov
 
Não concordo com quem sempre concorda comigo em gênero, número e grau. Há algo errado em mim ou na outra pessoa. Discordo em gênero, número e grau.