quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

nunca mais outra vez




Em 27 de janeiro de 1945, há exatos 65 anos, foi libertado Auschwitz, o maior e mais terrível campo extermínio nazista. Em suas câmaras de gás e crematórios, foram mortas pelo menos um milhão de pessoas.

No site Destsche Welle escreveu sobre a data histórica.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

meu maestro soberano


 foto Arquivo NV
 
"Meu maestro soberano/foi Antonio Brasileiro./ Foi Antonio Brasileiro / quem soprou esta toada / que cobri de redondilhas / pra seguir minha jornada / e com a vista enevoada / ver o inferno e maravilhas", diz Chico Buarque em homenagem ao grande Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o Tom Jobim, na canção "Paratodos", lançada no disco homônimo em 1993.

O maestro recebeu a homenagem em vida, faleceu um ano depois.

Hoje o compositor de "Águas de março", "Garota de Ipanema", "Wave", "Chega de saudade" e tantas outras belas canções, faria 80 anos.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Americanos!


foto HSLiberal

 "Hoje, o Haiti entra para o rol dos países em reconstrução, mais uma mina de ouro a ser entregue aos donos do capital, a exemplo da ex-Iugoslávia, do Iraque, do Paquistão, do Afeganistão. Funciona mais ou menos assim: 1. As tropas invadem o país e destroem toda sua infra-estrutura (melhor se a infra-estrutura já estiver destruída, como no caso do Haiti). 2. O FMI (leia-se Washington) garante o empréstimo de centenas de milhões de dólares. 3. As tropas de ocupação garantem as instalações das empresas dos EUA que participarão da reconstrução e da recondução dos dólares ao seu país. Fica a dívida. 4. As tropas de ocupação deixarão o país quando a dívida for paga: nunca"

Lúcida reflexão de Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio. Texto na íntegra aqui.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

machadianas


"Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento."

(Machado de Assis)

sábado, 16 de janeiro de 2010

um ator e seu personagem


 foto Rizoma Films
Talvez poucos conheçam o ator Andrés Pazos. Para quem se lembra, ele ficará na memória como Jacobo, o rotineiro, áspero e melancólico dono de uma fábrica de meias em Montevideo, personagem principal de "Whisky", filme uruguaio de 2004, dirigirido por Juan Pablo Stoll e Pablo Rebella.

O ator, de 65 anos, morreu ontem de câncer, segundo notícia que li agora no jornal Clarín. Ao contrário de seu papel no filme, Andrés era afável, uma pessoa de uma simpatia cativante, como revelaram alguns atores que trabalharam com ele.

Logo que chegou da Espanha, sua terra natal, empenhou-se na luta contra a ditadura no Uruguai, e criou o grupo de teatro A Galpão, que levou espetáculos de grande repercussão nos palcos de Montevideo, inclusive "Rasga, coração", última e consagrada peça do nosso Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha.

"Whisky" é uma pequena obra-prima. O filme merece ser visto por tudo que nele representa: roteiro enxuto, preciso, narrativa minimalista, atuação de atores de uma quimica impressionante, como se observa entre Andrés e Mirella Pascual. A grandiosidade do cinema está ali, num filme simples e profundo sobre as relações humanas e seus descontentamentos. 

Creio o filme tenha cópia em dvd. Procure numa locadora que se preze em bons títulos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

pense no Haiti


foto Juan Barreto/AFP

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

(Caetano Veloso e Gilberto Gil, disco "Tropicália 2", 1993)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

um cineasta para ser lido


 foto Arquivo NV
  
"Um a um, meus filmes são desiguais. No conjunto, eles se sustentam. Gostaria que eles fossem revistos como na leitura de um livro."

Declaração do cineasta francês Eric Rohmer, há três anos, ao lançar "Os amores de Astrée e Celadon", inédito no Brasil, e que se torna seu último filme. Rohmer, que faleceu ontem aos 89 anos, foi um dos principais nomes do movimento francês que bateu de cara com o conservadorismo dos anos 50, a Nouvelle Vague. Mas não era um cineasta que se mantinha na linha de frente, como Godard e Chabrol, e até mesmo Truffaut. Rohmer tinha um jeito sereno de ser. Seus filmes, no entanto, eram discursivos, recheados de seres humanos complexos, opostos, como o cineasta via a vida, o cotidiano nas ruas, os costumes de uma sociedade contraditória.

"O joelho de Clair" é um dos meus preferidos na filmografia de mais de 30 títulos. Lembro-me de ter visto em Fortaleza, possivelmente numa das sessões do Cinema de Arte do cine Diogo, lá pelos anos 70. E revi  há uns três anos, em dvd. Um filme intrigante e belo, sobre um homem culto, que às vésperas de se casar, é atraído pelos encantos de uma adolescente.

O cinema de Rohmer tem um sabor irresistível de literatura. Parece mesmo que estamos assistindo a um filme e lendo um livro ao mesmo tempo. As duas belezas não se confundem: juntam-se na busca de desvendar enigmas. Não é à toa que seus filmes são até verborrágicos, não é por menos  que ele fez o pedido para ser "relido"...

Uma de suas frases que gosto e anotei num dos meus cadernos de cinema é a que diz que "a conservação do passado garante a possibilidade da arte moderna". E nada mais moderno do que o seu cinema passado.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

a mais completa tradução


 foto Marcus Claesson

"Ser poeta é tirar de onde não tem e colocar onde não cabe."

(Pinto do Monteiro, repentista paraibano)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

novo ano



"Salvo fui, salvo sou, salvo serei.
Com a chave do Sacrário, eu me fecho."

Seja bem-vindo, dois mil e dez, para todos nós!