quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

mas não tivesse amor, nada seria


obra atribuída a Valentin de Boulogne

"Se eu falasse todas as línguas, as dos homens e as dos anjos, mas não tivesse amor, seria como um bronze que soa ou um címbalo que retine. Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, se tivesse toda a fé, a ponto de remover montanhas, mas não tivesse amor, nada seria. Se eu gastasse todos os meus bens no sustento dos pobres e até me fizesse escravo, para me gloriar, mas não tivesse amor, de nada me aproveitaria. O amor é paciente, é benfazejo; não é invejoso, não é presunçoso nem se incha de orgulho; não faz nada de vergonhoso, não é interesseiro, não se encoleriza, não se alegra com a injustiça, mas fica alegre com a verdade. Ele desculpa tudo, crê tudo, espera tudo, suporta tudo. O amor jamais acabará. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, a ciência desaparecerá. Com efeito, o nosso conhecimento é limitado, como também é limitado nosso profetizar. Mas quando vier o que é perfeito, desaparecerá o que é imperfeito. Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança. Quando me tornei adulto, rejeitei o que era próprio de criança. Agora nós vemos num espelho, confusamente, mas, então veremos face a face. Agora, conheço apenas em parte, mas, então, conhecerei completamente, como sou conhecido. Atualmente permanecem estas três: a fé, a esperança, o amor. Mas a maior delas é o amor."

Um dos textos da primeira carta que São Paulo escreveu a Coríntios, capítulo 13. Está no Novo Testamento. Mexeu com o coração de Renato Russo, que musicou para o belíssimo disco "Quatro estações", de 1990.  E remexeu meu coração hoje ao ler um trecho em mural do hospital onde está internada a minha mãe, em Fortaleza, recuperando-se de um Acidente Vascular Cerebral, o hoje AVC que na época dela era chamado de "derrame cerebral".

Mãe e amor são palavras sinônimas, em todas as línguas, em qualquer canto do mundo. Olho para a minha mãe doente, com os movimentos limitados sobre uma cama, e vejo em seus olhos o amor resistindo, esse sentimento imbatível, que rege a esperança e a fé, que traduz a vida. E como o amor é paciente, é benfazejo, e como amor nunca acaba, minha mãe é o nome que se dá ao significado idêntico dessa palavra.

sábado, 19 de dezembro de 2009

olhe aqui, preste atenção, essa é a nossa canção...


foto Arquivo NV
Caetano Veloso e Odair José em 1973. Eles cantaram juntos "Eu vou tirar você desse lugar", no espetáculo Phono 73 , organizado com os contratados da então gravadora Phonogram, hoje Universal.
  
Mano Caetano, filho de Chiquita Bacana de todos os santos, sempre transou todos os sons sem perder o tom.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

ah, tela de luz puríssima


foto Universal Pictures

"Pálpebras de neblina, pele d'alma, Lágrima negra tinta, Lua, lua, lua, Giuletta Masina, Ah, puta de uma outra esquina, Ah, minha vida sozinha, Ah, tela de luz puríssima, (existirmos a que será que se destina), Ah, Giuletta Masina, Ah, vídeo de uma outra luz, Pálpebras de neblina, pele d'alma, Giuletta Masina, Aquela cara é o coraçao de Jesus"

Giuletta Masina interpreta uma prostituta nas ruas de Roma nos anos 50, no clássico "Noites de Cabíria", dirigido pelo marido Federico Fellini. O filme é de 1957, e impossível não se comover com essa mulher ingênua, que sonha com o amor perfeito, que acredita na bondade de todos, o que lhe faz sofrer com as constantes decepções. Caetano Veloso, ao fazer essa bela canção, da letra acima, no disco de 1999, "Omaggio a Federico e Giuletta", traduz bem a beleza de interpretação da atriz, que se entrega e se integra na pureza da personagem. Giuletta Masina é Cabíria e quem há de negar que esta lhe é superior?

sábado, 12 de dezembro de 2009

longa é a arte


 foto Arquivo NV
 
"Não sou dado a reler livros. Quando vejo a pilha imensa, que cresce sem parar, de tudo que ainda não li, percebo que, ao invés de revisitar páginas que, em vez de consolidar uma admiração possam causar decepção, o melhor é continuar alimentando a esperança de encontrar nas páginas por onde meus olhos ainda não passearam aquela nova sensação, aquele novo conhecimento que não encontrei em nenhum dos outros que já li. É aquela velha história: a vida é breve."
 
Briquet de Lemos, editor e livreiro 

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

não atirem no dramaturgo

 foto Valéria Gonçalves/AE

O dramaturgo Mário Bortolotto, 47 anos, fundador do grupo de teatro Cemitério de Automóveis, e o músico Carlos Carcará foram baleados no bar do Espaço Parlapatões, localizado na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo na madrugada do sábado passado. Mário reagiu ao assalto e o seu estado é grave. Mas as últimas notícias que li é que ele está se recuperando bem. Carlos foi menos atingindo e não corre risco.

Mário é um dos melhores dramaturgos  brasileiros, em atividade há mais de 20 anos e autor de 40 peças, sempre aplaudidas, sempre referenciadas como um teatro incitante, provocante, criativo. Um novo e necessário Plínio Marcos. Sua peça "Nossa vida não vale um Chevrolett" serviu de base para o filme "Nossa vida não cabe num Opala", dirigido por Reinaldo Pinheiro em 2008.

Conheci Mário numa das edições do Festival Ibero-Americano de Cinema (Cine Ceará) quando ele apresentou um curta. Com seu jeitão beatnick, Bortolotto é  de uma inteligência rara. Seus textos refletem uma inconformidade diante de uma realidade burra, sedada pela aceitação da mesmice midiática. Seu blog, ironicamente intitulado Atire no Dramaturgo, é leitura imperdível, se destaca neste universo incomensurável da internet muitas vezes mal aproveitado e recheado de bobagens.

O site Digestivo Cultural fez uma ótima homenagem ao Mário publicando um ensaio sobre uma noite insone assistindo ao programa Jô Soares. Concordo com o dramaturgo, é o que eu acho sobre o humorista-apresentador. Leia aqui.

E torcemos para que ele volte logo à cena.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

a oração pelo avesso

 


Valei-me Nossa Senhora
Do Reino da Pedra Fina,
Tanta meia recheada
Com o níquel da fedentina!
No pisotear da grana,
Reza em coro a ratazana
A Oração da Propina.

Continue a reza aqui

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

vossas excelências

Diante de mais um escândalo na política brasileira, minhas mais sinceras homenagens às nojentas vossas excelências.